Na longa espera, esperava o retorno de quem há muito partira. Os olhos dela eram um espelho das lágrimas derramadas, noites mal dormidas. O silêncio lhe tirara o sol, lhe embriagara o sangue. Sangue que não mais corria. Rastejava-se, lânguido, por entre veias ressequidas, sem muita ideia de para onde ir. A Terra em constante […]
Categoria: Crônicas Pequenas
Textos Curtos e Crônicas Pequenas da Literatura Corrosiva
O tempo escasso. Com pernas amputadas. As 24 horas já não são vinte e quatro horas. Perderam espaço e identidade. Hoje é preciso objetividade. No mundo do pouco tempo, pouco tempo nos resta. Então, cuide de cada segundo como a preciosidade que nunca mais lhe voltará ao colo. Como Crônicas Pequenas escolhidas para enriquecer seu dia.
Neste blog, tento deixar meu lado prolixo, e assumir a brevidade que todos procuram.
Se o seu relógio avança impiedosamente, mas está decidido a mergulhar no mundo da literatura, deixo-lhes aqui, minhas Crônicas Pequenas. Talvez não sejam tão pequenas quanto gostariam, mas são crônicas de um mundo breve, e pequenas brevidades.
- DESCONFIANÇA MATA
- O ÚLTIMO HOMEM DO PLANETA TERRA
- UMA CARTA PARA FREUD
- VESTIDA EM FARRAPOS
- O COLECIONADOR DE MANIAS
- DDA É A MÃE!
- VIAGEM NO TEMPO
- MENTIRAS ÁCIDAS
- MULHERES INTELIGENTES
- O OTIMISTA E O PESSIMISTA
- NATIMORTO – O RENASCIMENTO
- TEMPO
- CRÔNICA – SEM TÍTULO
- AMORES VIRTUAIS
- ENVELHECENDO AO TEU LADO
- GAROTA TPM
- DIA EPAGÔMENO
- DISCALCULIA E DISLEXIA – UMA HISTÓRIA DE AMOR
- VOANDO COM TOLSTÓI
- INTEIRAS METADES FRACIONADAS
- MINHA JOVEM IDOSA
- OS ANTISSOCIAIS I
- RETRATO SOLIDÃO INDELÉVEL
- AUTOBIOGRAFIA
- NOME PRÓPRIO
- CRÔNICA ALEGRE, EXCETO PELO FATO DE SER DEPRESSIVA
- CHUTANDO FANTASMAS
- PARANOICO, NÃO ANDROIDE
SONHOS EM COMA
Sonhos em coma. O medo já é rotina, como um ator principal. As gargalhadas estão ausentes da cena, cedo demais. Deveriam estar aqui. Poderiam estar. Um quinto, que fosse. De mãos dadas aos sonhos. Ainda que em silêncio. Ainda que carente de atenção. Onde foste parar, esperança? Por que não esperaste um pouco mais? Na […]
OS ANTISSOCIAIS II
– E aí? – E aí? – Fazendo? – Nada. – Também. – Vai sair? – Nem. Cansado pra burro. – O que fez? – Ah, sei lá. Fiz nada, não. – Então tá cansado do quê? – Sei lá. Dessa paradeira, deve ser. – Então por que não sai? – Porque tô cansado. – […]
ETOGENIA
Quando a intensidade lhe cobriu os olhos naquele novo formato, deixou-se guiar pela profusão de novos sonhos. Era uma experiência nova, uma aquisição há muito esperada, novos parágrafos acrescidos à etogenia. Por entre a tensão e a alegria de rever os contornos que lhe emudeciam os olhos, descobriu-se adepto do que um dia, já desistira […]
SEM TEMA
O vento lhe tocou os cabelos no mesmo instante em que percebeu que o dia havia nascido. Mas qual dia? Poderia encarar novos céus, mas se derramava litros de tinta sobre seus olhos cansados, ora desnudos, ora velados. Preferiria mergulhar em crônicas pequenas, em vez de encarar a realidade cansativa que lhe rasgava sonhos. Contemplando a […]
Por Ela
Ela me sorriu com o semblante. Parecia a criação duma nova estação. Um novo estado, entre o líquido e o gasoso. Entre o silêncio e o zumbido. Entre a solidão e sua companhia. Escondi meus deletérios, deletei medos e intempéries. Artesão que sou, recriei-me a partir de inéditas matérias-primas, primeiro a matéria, depois as rimas. […]
Parte do Céu
Menina no labirinto. Lábios conjugam movimentos. Um pedido de socorro. Mil vezes infinitivo. Seu desespero corre em suor pelo seu rosto. Gosto de sal, mal posto. Seus pés vacilam, pé ante pé a pé. Pela fé. Perdida, pede socorro. Ecoa a voz. Soa a sós. Ecoa… e ecoa… e ecoa… Menino ator. Molda-se. Cria-se. Atua […]
Garota brasa
No elevador. – Bom dia! – “Bom dia” por quê? – Só estou te desejando um bom dia. – Por quê? – Oras, eu não posso te dar bom dia? – E eu não posso perguntar porque está falando isso pra mim? – Simplesmente porque eu quero que você tenha um bom dia. – Por […]