Corrosiva

Crônicas corrosivas e gestos de amor

TEMPO

 

Filtrava-se como se pudesse se esquivar da fúria do Tempo. A fúria das horas. A fúria que aflora nas horas de solidão. Era inócua aos seus medos. Mas determinada diante dos seus objetivos.

Costumava caminhar, e às vezes, percebendo ou não, deixava restos do que ficou e do que sonhava para trás. Pensava, inerte: e se eu voltar? Voltaria, se pudesse? Voltaria, se quisesse? Podia e, vez ou outra, queria. Mas o que ganharia? Não se constroem castelos com pedaços do que ficou. Do que se jogou, justamente por julgar, num momento de inspiração, um peso morto.

Mas o medo do fim teve fim. Findou-se numa tarde em que o sol se apagou. Num lapso, faltou-lhe ar. Estranhamente, não um sorriso. O mundo veio abaixo. Mas ela não. Nem ela, nem sua pele, nem seus objetivos. O mundo em pó. E ela, só. Mas não tão só. Olhou ao redor. Figuras emergindo das cinzas escuras. Viu-se naqueles rostos. Naqueles olhos confiantes. Naqueles sorrisos de alívio. Pela primeira vez, não se sentiu ameaçada. A ameaça e o Tempo não mais andavam de mãos dadas. Desatada, ela conseguiu enfim encarar o futuro.

Naquele dia, fez as pazes com o Tempo.

 

borda

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5 Comments

  1. Hum…

    Gostei de “A fúria que aflora nas horas de solidão”…
    Gostei do texto texto todo…
    Who is she? “Quem é ela? Quem é ela? Eu vejo tudo enquadrado…”

  2. Ela é das nossas. Também anda bem vestida, mas ainda não contatou o Lucká ou o Messina. O que ela alcançou (ou alcançará) é o que esperamos: um novo mundo.

  3. Gostei parece -me que ela teria algo,muito importante para se resolver e o tempo estava, se esgotando…
    contudo em fim ela consegue encarar o futuro!!!

  4. Puxa …que belo texto. Dá para se colocar no lugar do personagem como se fosse ela…

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