Corrosiva

Crônicas corrosivas e gestos de amor

SEM TEMA

O vento lhe tocou os cabelos no mesmo instante em que percebeu que a hora havia chegado. E que hora, qual hora? Poderia encarar novos céus, mas se derramava litros de tinta sobre seus olhos cansados, ora desnudos, ora velados. Preferiria mergulhar em crônicas pequenas, ao invés de encarar a realidade cansativa que lhe rasgava pele e sonhos.

Contemplando a solidão travestida de noite, sorria-lhe a vizinhança disforme entre fumaças e sorrisos embriagados. Os rostos lhe pareciam distante. As peles se comutavam entre luzes e ausências, alternadamente. E os muros da cidade se apossavam das almas ansiosas.

No mesmo dia instante em que percebeu que a hora havia chegado, o vento lhe tocou os cabelos.

Sem Tema

1 Comment

  1. Gostei muito da crônica.

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