O sonâmbulo se perdia entre ruas tortuosas, passos oscilantes, luzes opacas. Não sabia para onde ia. Seus olhos fechados não lhe forneciam qualquer direção para o seu caminhar arrastado e lânguido. Sem rumo, andava de maneira irregular pelas ruas e calçadas frias. Sua consciência estava perdida em algum sonho mirabolante, provavelmente algum em que ele voava ou salvava pessoas de um grupo terrorista.
Enquanto isso, pisava em fezes de cães e poças d´água, lama e carcaças. Seu corpo arrastado, eventualmente, trombava em seres alcoólicos que se ocultavam sob o manto da noite. Ouvia xingamentos, embora, ao mesmo tempo, nada ouvia. Alguns tropeços, algumas quedas – mas nada suficientemente violento para tirá-lo do sono.
Uma hora depois, ele estaria de volta à sua casa, à sua cama quentinha. Acordaria no dia seguinte, descansado e satisfeito, após uma noite plena de sono revigorante.
No entanto, como sempre, ficaria sem entender o estranho cheiro de fezes deixado pela casa.
