Dia epagômeno. Ruptura no tempo/espaço. Típico dia ovelha-negra. Nem precisaria ter vindo a existência. A sensação de que muito poderia ter sido feito, mas nada se criou (ou recriou). Dia vago, vagando por aí, me deixando vasto de vacilação. Passei o dia pensando nela. Ela que conseguiu suavizar o ar arenoso, o paladar escamoso. Ela […]
Mês: novembro 2011
EU NÃO SOU EU
Certo dia, ao acordar, descobriu-se outra pessoa. Primeiramente, estranhou o aroma que impregnava o ar. Era um cheiro de novo, esmero, limpeza. Percebeu um odor suave, talvez doce, amadeirado. Perfume, certamente. De quem seria? Dele, não mesmo. Tinha alergia a essas frescuras. O lençol cheirava a lavanda… mas ele não havia vomitado meio litro de […]
ADEUS, OLIMPO
Ela puxou a pele da gordura malar, termo nada obtuso para a maçã do rosto, exibindo uma caricatura não tão distante da figura difusa que se tornara. Esticada, retesada, parecia-lhe menos agressiva. Manteve a bochecha esticada. Ainda se lembrava? Onde fora parar sua juventude, seu vigor? Uma busca nos esgotos fétidos revelaria algo? Deixou a […]
Homem Cor de Lixo
Já chega desse lixo, disse, ensandecido. Estava farto. Cansado de si mesmo. No espelho, os olhos não transmitiam nada. Nem o rosto. Nem porcaria nenhuma. Apenas uma névoa. Ele era a fétida névoa. Preferiu então, resignado, deixar que as palavras lânguidas sussurradas entre espumas de saliva o resumissem. Era o caos desnudo. Opróbrio enxuto. Tênue […]
Terapia Com Doutor Pyle Lecter
Os dias tensos perdem força diante do caos real do hoje. Não é nítido recuperar o passado em palavras, e contar a um estranho. A tendência é se esconder, desaparecer entre a chuva e o medo. O psicólogo tem cara de psicopata. Me lembra Dr. Lecter. Será que ele vai degustar parte do meu rosto durante […]
QUEM DISSE QUE QUERO SER POP?
O cara de olhar renitente, de fala envolvente, de porte confiante não sou eu. Não sei porque, mas quando ouço Cara Estranho, sinto que o sacana do Camelo está falando de mim. Cabe-me parte dos lucros? Direito de imagem, ainda que imagem escrita? Uma torpe impressão, um dia finito, algo assim. Nessa onda, vieram os […]
FERIDAS ANTIGAS
Na longa espera, esperava o retorno de quem há muito partira. Os olhos dela eram um espelho das lágrimas derramadas, noites mal dormidas. O silêncio lhe tirara o sol, lhe embriagara o sangue. Sangue que não mais corria. Rastejava-se, lânguido, por entre veias ressequidas, sem muita ideia de para onde ir. A Terra em constante […]
Cuida de Mim
Seus olhos me deixaram estático. Seu brilho calou-me silêncio. Como se a vida pudesse esperar um pouco mais. Sem pressa. Sem presas. Acesas, cem mil luzes. Seu encanto feriu-me a cura. Curou-me a ressaca, overdose de seu sorriso. Seu pranto molhou-me seco, e seco o céu, tua luz em véu. Veio assim, de passagem. Sem […]
SONHOS EM COMA
Sonhos em coma. O medo já é rotina, como um ator principal. As gargalhadas estão ausentes da cena, cedo demais. Deveriam estar aqui. Poderiam estar. Um quinto, que fosse. De mãos dadas aos sonhos. Ainda que em silêncio. Ainda que carente de atenção. Onde foste parar, esperança? Por que não esperaste um pouco mais? Na […]