Corrosiva

Crônicas corrosivas e gestos de amor

MICRO-CONTOS

  • Procurava por água, mas encontrou o grande amor de sua vida. Morreu de sede.

  • Queria escrever um livro que chocasse seus leitores. Escreveu sua biografia.
  • Quando descobriu que todos os amigos estavam mortos, convidou os inimigos para um churrasco. Seu corpo jamais foi encontrado.
  • Na ânsia de amar, declarou-se apaixonado à sua imagem no espelho. O reflexo o rejeitou terminantemente.
  • Costurou uma risada em seu coração. Gargalhava a cada palpitar.
  • Amei como jamais havia amado. Nunca havia amado.
  • O vento deslizava suavemente pelo seu corpo e rosto. Teria sido lindo, se não fosse apenas um banho de sol, na prisão de segurança máxima.
  • Por falta de criatividade, escreveu um micro-conto.
  • O suicida pulou do topo do décimo andar. Na metade do caminho, se arrependeu. Apertou rewind, voltou ao topo e foi ser feliz.
  • – O que este conto precisa para ser um micro-conto? / – Bom, não precisa ter pé nem cabeça, mas é essencial ter menos de 140 caracteres. / – Putz, então já era.
  • Entupia o estômago de comida, se embriagava, xingava, badernava, bolinava estranhas, batia o carro e se desculpava: “É Natal, tempo de alegria”.

3 Comments

  1. Gih

    at

    Amei sua cronica

  2. Paola

    at

    Essa é qual tipo de crônica ? Humorística?

    • Juliano Martinz

      at

      Não necessariamente. Mas alguns dos micro-contos acima são humorísticos.

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