Corrosiva

Crônicas corrosivas e gestos de amor

Micro-contos

Seleção de micro-contos de Juliano Martinz

Procurava por água, mas encontrou o grande amor de sua vida. Morreu de sede.

Queria escrever um livro que chocasse seus leitores. Escreveu sua biografia.

Quando descobriu que todos os amigos estavam mortos, convidou os inimigos para um churrasco. Seu corpo jamais foi encontrado.

Na ânsia de amar, declarou-se apaixonado à sua imagem no espelho. O reflexo o rejeitou terminantemente.

Costurou uma risada em seu coração. Gargalhava a cada palpitar.

Amei como jamais havia amado. Nunca havia amado.

O vento deslizava suavemente pelo seu corpo e rosto. Teria sido lindo, se não fosse apenas um banho de sol, na prisão de segurança máxima.

Por falta de criatividade, escreveu um micro-conto.

O suicida pulou do topo do décimo andar. Na metade do caminho, se arrependeu. Apertou rewind, voltou ao topo e foi ser feliz.

– O que este conto precisa para ser um micro-conto?
– Bom, não precisa ter pé nem cabeça, mas é essencial ter menos de 140 caracteres.
– Ih, então já era.

Entupia o estômago de comida, se embriagava, xingava, badernava, bolinava estranhas, batia o carro e se desculpava: “É Natal, tempo de alegria”.

3 Comments

  1. Gih

    at

    Amei sua cronica

  2. Paola

    at

    Essa é qual tipo de crônica ? Humorística?

    • Juliano Martinz

      at

      Não necessariamente. Mas alguns dos micro-contos acima são humorísticos.

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