Tão trivial foi sua vida que sequer existem justificativas para revelar seu nome. Destacou-se entre os átomos do planeta como não mais do que um suspiro – mal seus pés tocaram o chão, já era hora de dizer adeus à plateia de dois ou três, e voltar ao pó. Quando as cortinas se fecharam, os […]
Categoria: Crônicas Tristes
Crônicas Tristes da Literatura Corrosiva
Sob a penumbra, um silêncio ecoa em um peito decadente. Feridas eternas magnetizadas na insistência em viver. Respirar. Rastejar. Já não é a mesma presença. Já não é a mesma carência. Nem a mesma forma atônita de se crer, reter, reconsiderar. Em meio ao manto, sob nuvens negras, Crônicas Tristes se desenham em papel rasgado. Em bytes, refazem-se depressivas e moribundas.
Aqui remanescem Crônicas Tristes em momentos onde o agora torna-se eterno, num rastejar sem fim. Sôfrego. Calado. Cansado. Velhos momentos, uma velha densidade fria, reimpressos em Crônicas Tristes. A cortina que se fecha. A ferida que se abre. A criação poetizada e calcificada nestas palavras que o silêncio insiste em rimar.
Me ouça. Me destempere. Me reflita. E me acompanhe nestas tardias Crônicas Tristes:
Sem Título
Escolha um emprego. Escolha um carro. Escolha uma vida. E depois, resigne-se. É a vida, feita de escolhas e consequências. Um passo aqui para um efeito lá. Pode parecer estimulante. Pode parecer desafiador. Ou, às vezes, deprimente. Por isso, o homem decidiu não escolher coisa alguma. Esta foi sua escolha. Sem razões definidas, sem explicações […]
INTEIRAS METADES FRACIONADAS
Era eu mesmo. Num despertar bestialógico. Cansado de noites mal dormidas, de eras mal vividas. Cansado de estar cansado de estar cansado. Era-me eu. Era-lhe eu.
VIDA – DE ONDE VEIO ESTE SENSO DE HUMOR DOENTIO?
O encanto lhe dosava a face na proporção com que lhe convinham os sonhos. Dia metade, dia todo, a verdade suavizada pelo clamor visceral de suas entranhas.
ELA, O MONSTRO
Tinha esvaído suas esperanças em homens que a trataram como aquilo que sempre procurara desmentir: sua qualidade estativa. Julgava-se humana. Capaz. Sentimentos e qualidades em cada poro. Mas eles a moldaram em figura estatuária, uma boneca feito de lixo. Uma alma triste e sua corrosiva hirteza. Trancou-se entre quatro paredes. Privou-se de luz, de vozes, […]