Infame a solidão Em fama opressão O eco onipresente Em restos, desrestos Perene, mutila Rompe sôfrego Caindo trôpego Corta elos Os mesmos elos Que mantém livres Nossas almas.
Quando a intensidade lhe cobriu os olhos naquele novo formato, deixou-se guiar pela profusão de novos sonhos. Era uma experiência nova, uma aquisição há muito esperada, novos parágrafos acrescidos à etogenia. Por entre a tensão e a alegria de rever os contornos que lhe emudeciam os olhos, descobriu-se adepto do que um dia, já desistira …
O coração da jovem parecia tempestuoso, cálido ao toque das palavras dele, quando ele a chamava pelo nome. Não eram palavras especiais, mas se tornavam especiais quando cruzavam a fronteira do seu órgão muscular, desfilando por entre aurículas e ventrículos. Chamejava com a consistência inconstante daquele ritmado destoar que só deste gosto provaram os que …
Assentada, acentuou-se um desejo. Parecia-lhe suave, mas era grave, o acento. Gravidade, queda livre, livre aceitação. Sentiu-se só. Não solidão entre poeira e pó. Não o senso de descontentamento, insensatez no olhar, na tez. Desta vez, apenas uma lacuna na alma, fuga em calma. Com a face refeita, reconstruída com rímeis e semblantes, mergulhou na …
O vento lhe tocou os cabelos no mesmo instante em que percebeu que o dia havia nascido. Mas qual dia? Poderia encarar novos céus, mas se derramava litros de tinta sobre seus olhos cansados, ora desnudos, ora velados. Preferiria mergulhar em crônicas pequenas, em vez de encarar a realidade cansativa que lhe rasgava sonhos. Contemplando a …
“O amor é a gasolina da vida… custa caro, acaba rápido e pode ser substituído pelo álcool”. Apenas uma dentre as pérolas arrebatadas do personagem Charlie Harper, personagem vivido por Charlie Sheen, no seriado Two and a Half Man. Suas declarações serpenteiam a internet com um fulgor invejável, e sempre são elencadas pelos internautas como …
Ela é a amplitude em estado fundamental. O calor para um coração estendido sobre o gelo. Ela se camufla em poesia. Quase sempre. Mas nem sempre. Às vezes ela escapa das páginas. Como se o papel não a pudesse conter. Ele não a contém. A poesia não a mantém. Ela excede. Se espalha, se esparrama. …
A sétima arte mais do que entretém. É possível derivar algumas lições dos personagens da telona que povoam nossa imaginação. Elegendo dez personagens e o que aprendi com cada um deles, minha lista ficaria assim: Sloth (Os Goonies) – É possível divertir-se mesmo com uma criança gritando em seus ouvidos. Amelie Poulain – Contemple a …
Quando eu o conheci, décadas atrás, achei que estava diante de uma figura que pela primeira vez traria uma ameaça ao meu mundo seguro de criança. “Mãe, tem um moleque com cara de psicopata da escola”. Não era um psicopata. Era apenas um poeta, um louco, o louco Lucká. Seu nome não é Lucas. Nem …
Ela me sorriu com o semblante. Parecia a criação duma nova estação. Um novo estado, entre o líquido e o gasoso. Entre o silêncio e o zumbido. Entre a solidão e sua companhia. Escondi meus deletérios, deletei medos e intempéries. Artesão que sou, recriei-me a partir de inéditas matérias-primas, primeiro a matéria, depois as rimas. …
