Menina festeira apaixonou-se por sociopata. Um eclipse, uma dança solitária. Tinha os olhos azuis, ele. Mas não brilhavam. Recôndito num mundo paralelo, era senhor ali. Ela, cobria-se de regras, regrava-se posturas, roupas e sorrisos. Saltos desenfreados numa pista qualquer, pés descalços, os dedos emanando gargalhadas. Ele, avulso, olhar indireto refeito por 4 paredes. Conversava sozinho, às vezes. Ela, também.

Num encontro, ela lhe sorriu. Ele desviou as sobrancelhas. Força que lhe imputava medos. Sociopatia que lhe amputava credos. Tremia. Não era o que queria. Mas tremia. Distúrbio de juízos. 150 mg de paroxetina socando seu cérebro.

O Sociopata

– Me paga uma vodka? – Ela, sorriso nos poros.

Diria que não podia beber. Diria que poderia morrer se ela continuasse lhe sorrindo. Diria, se soubesse ao menos o que dizer.

– Claro – Respondeu.

Ela falava. Ele escutava. Na sua vez, silêncio, apenas. Distraído com pensamentos sobre o que dizer. A olanzapina correndo suas veias, rasgando seus tecidos. Era tênue a liberdade. Era sincera a preocupação.

Ela apaixonou-se. Mas ele a recusou. Não por ser incapaz de se apaixonar. Não por ser insensível. Mas no seu mundo, sabia em que terreno pisar. Sabia onde havia pedras e onde havia precipícios.

No seu mundo, ele era o senhor.

 

borda

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