O cara de olhar renitente, de fala envolvente, de porte confiante não sou eu. Não sei porque, mas quando ouço Cara Estranho, sinto que o sacana do Camelo está falando de mim. Cabe-me parte dos lucros? Direito de imagem, ainda que imagem escrita? Uma torpe impressão, um dia finito, algo assim. Nessa onda, vieram os …
O coração da jovem parecia tempestuoso, cálido ao toque das palavras dele, quando ele a chamava pelo nome. Não eram palavras especiais, mas se tornavam especiais quando cruzavam a fronteira do seu órgão muscular, desfilando por entre aurículas e ventrículos. Chamejava com a consistência inconstante daquele ritmado destoar que só deste gosto provaram os que …
Assentada, acentuou-se um desejo. Parecia-lhe suave, mas era grave, o acento. Gravidade, queda livre, livre aceitação. Sentiu-se só. Não solidão entre poeira e pó. Não o senso de descontentamento, insensatez no olhar, na tez. Desta vez, apenas uma lacuna na alma, fuga em calma. Com a face refeita, reconstruída com rímeis e semblantes, mergulhou na …
A noite lhe tecia a pele. Contornava seus contornos com ânsia sôfrega e doentia. Ela perambulava. Seu cabelo tempestuoso. Tempestade em seus cabelos. Como se estivesse em queda livre. Ela estava em queda livre. Seus olhos diziam: CANSADA. Seus olhos diziam: VAZIA. Seus olhos diziam: ÚLTIMA CHANCE. Tinha uma habilidade: escapar ilesa. Assim sobrevivia. Assim …
Filtrava-se como se pudesse se esquivar da fúria do Tempo. A fúria das horas. A fúria que aflora nas horas de solidão. Era inócua aos seus medos. Mas determinada diante dos seus objetivos.
