Acordei assim hoje, maduro, responsável. Estranha estranheza este estranhamento. A princípio, nada que acusasse a diferença. Mas, então, os primeiros problemas da manhã começaram a surgir – aqueles que socam teu estômago com uma ferocidade inigualável. O que eles esperavam de mim? Praguejar, esmurrar a parede, gritar em lágrimas: “Eu desisto”, e pedir para deixar …
Afague tua doce solidão. Não tenhas medo deste eco quando gritas no escuro. Se está só, então, não está só. Tua companhia é a melhor companhia. Pegue o próximo trem que te levará para lugares onde nunca esteve. Solte o ar que te mantém aprisionada. Levite ao dançar. Convide o mar. Livre-se destes paradigmas, desta …
Meu jogo, minhas regras
Um beco. Estado inerte. A neblina vasta e densa que envolve pensamentos adormecidos em outras outroras. É o estrangeiro que reside, entre o amontoado de carnes distorcidas, pele e espasmo. O que somos? O que fomos? De repente, a máscara cai. Pele ao vento. Aquele olhar no espelho é fome? ânsia? descontentamento? Deveria ser uma …
Numa certa manhã, fria como o inferno, como costumava dizer, julgou-se capaz de voar. Absoluto em suas ideias, vagou da cama à janela com passos lânguidos, olhar sedento, a medida que o véu da poluição contornava a silhueta da cidade podre que aprendeu a odiar.
Menina festeira apaixonou-se por sociopata. Um eclipse, uma dança solitária. Tinha os olhos azuis, ele. Mas não brilhavam. Recôndito num mundo paralelo, era senhor ali. Ela, cobria-se de regras, regrava-se posturas, roupas e sorrisos. Saltos desenfreados numa pista qualquer, pés descalços, os dedos emanando gargalhadas. Ele, avulso, olhar indireto refeito por 4 paredes. Conversava sozinho, …
De nada adianta teus vis apelos. É frágil tua intempestividade, teus lábios secos. Tua fama decai, teu anelo se esvai. É a pele morta, teu toque sem folículos pilosos. É o agreste em teus olhos, é um selo em tua boca. Roxa. Falsa. Palavras pútridas. Dançando no escuro. Com estranhos. Com fantasmas. Reverenciando teus atos …
Seus olhos me deixaram estático. Seu brilho calou-me silêncio. Como se a vida pudesse esperar um pouco mais. Sem pressa. Sem presas. Acesas, cem mil luzes. Seu encanto feriu-me a cura. Curou-me a ressaca, overdose de seu sorriso. Seu pranto molhou-me seco, e seco o céu, tua luz em véu. Veio assim, de passagem. Sem …
Quando eu o conheci, décadas atrás, achei que estava diante de uma figura que pela primeira vez traria uma ameaça ao meu mundo seguro de criança. “Mãe, tem um moleque com cara de psicopata da escola”. Não era um psicopata. Era apenas um poeta, um louco, o louco Lucká. Seu nome não é Lucas. Nem …
As pessoas acordam todos os dias querendo mudar suas vidas. Promessas e pactos. “Hoje renascerei”. Mas não mudam. Não nascem. Nem renascem. De uma atitude revolucionária, condensam-se em modos passivos. Parecem cientes do gelo fino sob seus pés. Aquele mesmo que parece trincar abaixo de mim enquanto essas mal traçadas linhas se expandem. Um movimento …