A noite estava… A noite estava clara… A noite… A noite estava fria… A noite estava… (Não, a noite não). O dia estava… Oh, infame desinspiração. Ou uma anti-inspiração. Não importa se a palavra não existe. Quem se importa!? Quando a inspiração desaparece vale tudo para o escritor. Até inventar palavras novas: “Ele acordou um …
Se o amor já era complicado, os criativos fizeram questão de torná-lo um emaranhado ainda mais complexo. Pelo menos, no tocante às declarações de amor.
Agorafóbico. Agorafobia. Agora. Neste exato momento. Mas, logo agora? Foi o que pensei. Os pés já batendo a calçada coberta de limo, em uma manhã infernalmente fria, quando a sensação de ser engolido e devorado por uma nuvem negra deflagrou. Para falar a verdade, fui realmente devorado por uma nuvem negra, uma maldita neblina mórbida …
Rir é o pior remédio. Para Mara, rir ainda precisava evoluir muito para ser classificado como um remédio ruim. Para ela, risadas eram o próprio fel. O distúrbio. O veneno. Ela carregava o amargor em sua alma como um vibrante elixir. Era sua fortaleza, sua proteção. Já o riso a envelhecia. Deixava-a exposta, vulnerável. Não …
A desconfiança não lhe soava como um defeito; para ele, era sua principal arma. Na verdade, a defesa perfeita, inexpugnável, por meio da qual garantiria sua sobrevivência em um mundo repleto de traição.
No seu primeiro encontro romântico com uma garota, levou junto a mãe. Rapaz criado sob os mimos da mãe viúva e de duas tias solteironas, não se sentia seguro nem para assinar o próprio nome. A ausência de qualquer uma das três figuras femininas fazia com que Alfredo perdesse até a fala.
O hábito lhe perseguia tal qual um vício: fazia biquinho em todas as fotos. Quase uma sina. Bastava um convite para uma foto, ajeitava a roupa, uma pose cuidadosamente elaborada e… o biquinho se formava na boca disforme, antes do flash espocar seu rosto.
Um barzinho qualquer. Uma conversa qualquer, aquela que melhor convir. – Droga de vida! – Por que isso, cara? – Ah, essa porcaria toda. – Mas que porcaria? – Essa estrumação onde vivo. – Esse papo de novo? Não tem nada de tão ruim em sua vida. – Ah, não? Quer que eu enumere? – …
D’Artagnan se propôs um pequeno desafio: dar apenas três passos em linha reta. Levando-se em consideração as latinhas de cerveja que secara naquela festa, desnecessário dizer que não foi bem-sucedido. Orgulhoso irredutível (e defensor absoluto dos incisivos porres diários), botou a culpa no salame: “Aquela porcaria tava estragada”.
Não conseguir se lembrar de quando acordou é algo assustador. Pior ainda é não saber como se veio parar aqui. Quer um pouco mais de tempero TERROR na trama? Eu nem sequer sei onde é “aqui”. Estupefato, confuso, olho ao redor. Recolho informações: aqui é uma rua movimentada. Pessoas indo e vindo apressadas. Normalidades anormais. …
