Na longa espera, esperava o retorno de quem há muito partira. Os olhos dela eram um espelho das lágrimas derramadas, noites mal dormidas. O silêncio lhe tirara o sol, lhe embriagara o sangue. Sangue que não mais corria. Rastejava-se, lânguido, por entre veias ressequidas, sem muita ideia de para onde ir. A Terra em constante …
Sonhos em coma. O medo já é rotina, como um ator principal. As gargalhadas estão ausentes da cena, cedo demais. Deveriam estar aqui. Poderiam estar. Um quinto, que fosse. De mãos dadas aos sonhos. Ainda que em silêncio. Ainda que carente de atenção. Onde foste parar, esperança? Por que não esperaste um pouco mais? Na …
– E aí? – E aí? – Fazendo? – Nada. – Também. – Vai sair? – Nem. Cansado pra burro. – O que fez? – Ah, sei lá. Fiz nada, não. – Então tá cansado do quê? – Sei lá. Dessa paradeira, deve ser. – Então por que não sai? – Porque tô cansado. – …
Quando a intensidade lhe cobriu os olhos naquele novo formato, deixou-se guiar pela profusão de novos sonhos. Era uma experiência nova, uma aquisição há muito esperada, novos parágrafos acrescidos à etogenia. Por entre a tensão e a alegria de rever os contornos que lhe emudeciam os olhos, descobriu-se adepto do que um dia, já desistira …
O vento lhe tocou os cabelos no mesmo instante em que percebeu que o dia havia nascido. Mas qual dia? Poderia encarar novos céus, mas se derramava litros de tinta sobre seus olhos cansados, ora desnudos, ora velados. Preferiria mergulhar em crônicas pequenas, em vez de encarar a realidade cansativa que lhe rasgava sonhos. Contemplando a …
Ela me sorriu com o semblante. Parecia a criação duma nova estação. Um novo estado, entre o líquido e o gasoso. Entre o silêncio e o zumbido. Entre a solidão e sua companhia. Escondi meus deletérios, deletei medos e intempéries. Artesão que sou, recriei-me a partir de inéditas matérias-primas, primeiro a matéria, depois as rimas. …
Menina no labirinto. Lábios conjugam movimentos. Um pedido de socorro. Mil vezes infinitivo. Seu desespero corre em suor pelo seu rosto. Gosto de sal, mal posto. Seus pés vacilam, pé ante pé a pé. Pela fé. Perdida, pede socorro. Ecoa a voz. Soa a sós. Ecoa… e ecoa… e ecoa… Menino ator. Molda-se. Cria-se. Atua …
No elevador. – Bom dia! – “Bom dia” por quê? – Só estou te desejando um bom dia. – Por quê? – Oras, eu não posso te dar bom dia? – E eu não posso perguntar porque está falando isso pra mim? – Simplesmente porque eu quero que você tenha um bom dia. – Por …