Corrosiva

Crônicas corrosivas e gestos de amor

OS ANTISSOCIAIS III

– Alô.

– E aí!?

– Fala. Belê?

– Opa. Fazendo?

– Nada. Quartão escuro.

– Abre as janelas, pô.

– Nem. Mó calor lá fora. Se abrir a janela, ele entra.

– Pior.

– E você, tá fazendo o quê?

– Nada. Só aqui no papo com minha namorada.

– Quê?

– Minha namorada virtual.

– Eita, e nem me fala nada!?

– Ah, conheci ela hoje.

– Danadão. De onde ela é?

– Sei lá.

– Não sabe onde ela mora?

– Sei lá. Mora por aí, nesses cantos.

– Conheceu como?

– Ah, sabe como é. Nos Faces da vida. Únicos lugares onde eu consigo conversar.

– Massa.

– Mas tá batendo mó medão.

– Por quê?

– Ela falou que quer me conhecer pessoalmente.

– E…?

– Ah, complicado, né cara? Sair de casa, ir pra balada, cinema, monte de gente, essas coisas. Não me dou bem nesse meio. Você sabe.

– Não devia arrumar namorada então.

– Por isso arrumei uma virtual. Mas era pra ficar só nisso. Ela lá, eu cá. Daí vem a doida e começa a complicar a relação.

– Vai enrolando, oras.

– Sei lá, acho que está na hora de encarar meus problemas.

– Tipo…?

– Sei lá. Cansei de ser dominado pelo medo, de ser só um fantoche na mão da sociedade.

– Eita, tô te estranhando.

– Sério. Vou resolver isto agora.

– Vai fazer o quê?… Ow… Cadê você?

– Voltei. Pronto, resolvi tudo.

– Sério? Marcou encontro com ela?

– Não. Terminei o namoro.

 

borda

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3 Comments

  1. Caramba! Juliano você escreve muito! Parabéns. Adoro acompanhar o seu blog.
    Seus textos, suas palavras são maravilhosos!! Admiro muito vc :)

  2. Esta de parfabéns realmente, entrei por um link deixado no orkut e estou curtindo muito tudo aqui no seu blog, já favoritei até :)

    Um abraço

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