Prólogos são profissionais, charmosos e eficientes para qualquer romance. Sqn. Se forem mal utilizados, os prólogos podem prejudicar desenvolvimento de uma trama e boa experiência de uma leitura

O prólogo pode ser uma ferramenta bastante útil em um livro. Sacou o “pode” em itálico, não é? Isso significa que nem sempre é. Se bem utilizado, ótimo. No entanto, há casos em que um prólogo prejudica a construção de uma boa narrativa. E aí, a boa experiência do leitor em mergulhar em seu universo literário vai pelo ralo. Este artigo vai destacar as características de um prólogo e quando é que você deve se preocupar em utilizar um.

Quando Usar Prólogos

Um dos objetivos do prólogo é dar informações adicionais aos leitores. Em quais circunstâncias eles são úteis?

  • Criar expectativa: os prólogos podem ser usados para despertar a curiosidade dos leitores relacionado a importantes eventos da narrativa. Estes eventos são discretamente apresentados aos leitores como um aperitivo, e ajudam a mantê-los presos à leitura do livro. Portanto não resolva conflitos nesta parte do seu livro. Seu objetivo é deixar o leitor intrigado;
  • Descrever evento passado: quando um evento no passado é de grande importância para a trama, este é um bom lugar para ele ser descrito. Neste caso, o prólogo é utilizado como um capítulo à parte para descrever eventos fora da corrente natural do tempo no livro. Este tipo de prólogo é chamado de Passado do Protagonista;
  • Descrever eventos atuais ou futuros: uma situação inversa é quando a história se desenvolve no passado, e o prólogo destaca os dias atuais. Por exemplo, sua história se passa nos anos 70, mas o prólogo é a narrativa da personagem principal em 2016. É também conhecido como Futuro do Protagonista;
  • Apresentar informações de um ponto de vista diferente: suponhamos que seu romance é narrado em primeira pessoa, e você precise informar os leitores sobre algo que está fora do conhecimento da personagem principal. Nesta situação, o autor tem dificuldade já que não pode revelar algo fora da perspectiva da primeira pessoa. O prólogo pode ser usado para descrever o evento em terceira pessoa;
  • Situar leitores em um mundo diferente: se sua narrativa ocorre em um ambiente estranho à nossa realidade (um outro planeta, por exemplo), os prólogos podem ser de ajuda. É um bom espaço para destacar as características inusitadas deste ambiente. Assim, os leitores entrarão no primeiro capítulo já bem situados, conhecendo alguns elementos deste mundo. Isto pode ajudar a manter o interesse pelo que estão lendo.

Quando Não Usar Prólogos

Conforme visto no item anterior, parece haver um milhão de razões para prólogos serem utilizados. É verdade, eles podem ter um forte potencial e são elementos incríveis para algumas tramas (neste respeito, leia atentamente a palavra de cautela abaixo, em negrito). No entanto, prólogos mal colocados e desnecessários causam aversão à fluência de uma leitura.

Pense da seguinte maneira: prólogos estão ali somente para situações e eventos realmente relevantes. Utilizar as páginas iniciais para fazer uma descrição física dos campos verdejantes onde sua história se passa, é de dar dor de barriga. Este tipo de introdução é cansativa, e faz com que o leitor perca o interesse antes mesmo de iniciar o primeiro capítulo.

E aqui cabe uma importantíssima palavra de cautela: por incrível que pareça existem pessoas que não leem prólogos. Sim, existem leitores que pulam prólogos e passam diretamente para o primeiro capítulo. Inconscientemente, alguns classificam prólogos como uma fonte de informação irrelevante que não acrescenta nada à narrativa. Portanto, cuidado com a decisão de incluir um prólogo.

Como mencionado, prólogos são usados para inserção de informações vitais na história. No entanto, considere a possibilidade do leitor pular esta parte introdutória. Se isto acontecer, ele ficará sem entender o desenvolvimento da trama? Isto não seria nada bom. Por isso, muitos autores se recusam a utilizar este recurso narrativo. Mas, se você decidir utilizar, certifique-se de que a trama não dependa do prólogo para ser compreendida. Embora muito importante para a obra, caso seja ignorado, isto não deve prejudicar a compreensão do que narra o livro.

A chave para criar um prólogo eficiente é definir o equilíbrio entre o interesse e a informação.

Dúvidas Gerais Sobre Prólogos

Quando o prólogo deve ser escrito? Em qualquer momento, evidentemente. A maioria dos autores que utilizam este recurso preferem escrever prólogos por último, após finalização dos livros. Isto permite definir com mais clareza o que é relevante e se um prólogo será realmente necessário. Mas isto, evidentemente, não é uma regra.

Qual o tamanho ideal de um prólogo? Difícil definir isto em termos numéricos. Mas um prólogo costuma ser menor que os capítulos. São apenas uma introdução, o aperitivo para o mergulho que o leitor fará em sua narrativa. Assim, não se estenda demais. Poucas páginas, talvez uma, podem ser o suficiente para você atingir seu objetivo ao utilizar este recurso em seu livro.

Prólogos devem ter uma linguagem diferente do restante do livro? Não. Procure utilizar nesta introdução, o mesmo tom narrativo característico do restante da obra. Eles integram sua obra; não são um livro dentro de um livro. No entanto, cabe destacar que os prólogos possuem uma característica que não devem se repetir em outros momentos da narrativa. Do contrário, eles perdem sua identidade. Por exemplo: se a diferença entre o prólogo e o capítulo 1 é um intervalo de 10 anos, certifique-se de não utilizar este avanço no tempo, novamente, em seu livro.

Prólogo? Pegue leve

Assim, cuidado com o uso de prólogos. Podem ser charmosos e chamativos. Mas se mal utilizados, podem prejudicar a boa leitura e fazer com que leitores percam o interesse em seus livros.

 

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