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Crônicas corrosivas e gestos de amor

O que são epílogos? E como escrever um epílogo fantástico em seu livro?

O que aconteceu depois do “Fim”? Bem, eis o motivo de epílogos existirem. Neste artigo, veja quando você deve usar este recurso narrativo e como escrever um bom epílogo.


Epílogo é a seção final do nosso livro. Aquela parte que coroa de êxito o longo trabalho que tivemos ao escrever um romance.

Você vai encontrar por aí muitos romances que possuem tanto um prólogo quanto um epílogo. Aí, bate aquela vontade escrever um livro usando algo parecido. Coisa chique, não acha?

É verdade que o uso destes recursos narrativos podem ser charmosos em uma obra literária.

Mas, calma lá. Não se apresse em concluir que epílogos sempre são necessários. Vai por mim: nem sempre eles são.

Por isso resolvi escrever este artigo. Minha intenção é esclarecer estes pontos:

Então, vamos lá. Uma pergunta de cada vez.

O que são epílogos?

Epílogo vem do grego “epílogos” e significa “conclusão”. É aquele capítulo adicional inserido logo após o “Fim”. Seu objetivo é encerrar a obra dando alguns detalhes sobre a história após sua conclusão.

Gosto de comparar os epílogos com notas ao pé da página. Você sabe que notas ao pé da página são aquelas informações extras que complementam ou esclarecem uma parte do conteúdo.

Pois é, algo parecido acontece com os epílogos – eles servem para complementar a história.

Portanto, epílogos não devem ser usados para solucionar os eventos da trama nem para compensar um desfecho fraco.

Eles são desfechos necessários.

Qual a diferença entre epílogo e posfácio?

Peguei pesado agora, não é mesmo? Pode ser que você nunca tenha ouvido falar em posfácio.

De qualquer forma, visto que algumas pessoas confundem os dois, vale esclarecer a diferença entre eles.

Na verdade, vou começar destacando suas semelhanças. Tanto o epílogo quanto o posfácio ficam localizados no final dos livros. E as semelhanças param por aí.

  • Epílogo é o desfecho final da obra. Conta o que aconteceu após a cena final do último capítulo.
  • Posfácio é uma advertência ou explicação final. Pode conter uma lição de moral. É geralmente utilizado pelo autor para colocar seu ponto de vista sobre o que foi narrado.

Cá entre nós, ambos são raros. Mas os posfácios são muito mais raros do que os epílogos.

Quando devo escrever um epílogo?

Os elementos mais importantes de uma narrativa devem ser resolvidos durante o livro. Portanto, é natural se perguntar quando usar epílogos?

Em primeiro lugar, tenha em mente que epílogos são raros. Pode ser que você passe por uma carreira literária sem nunca precisar escrever um.

De qualquer forma, epílogos só devem ser escritos se forem realmente necessários. Devem fornecer aos leitores informações adicionais ao que foi contado ao longo da narrativa.

Se perceber que seu livro deixou como que um buraco, uma dúvida persistente e inquietante no ar, talvez decida utilizar este recurso para esclarecer os acontecimentos. Claro, isto se o “buraco” não tenha sido intencional.

Em outras palavras, você termina a obra, amarra todas as pontas soltas e então… de repente, pensa na possibilidade de inserir um evento posterior ao seu livro.

Aí entra a necessidade de equilíbrio. Claro que você não precisa responder tudo no final do livro. Às vezes, é bom deixar a imaginação dos leitores preencher as lacunas. Apenas cuidado para não exagerar – do contrário, sua lacuna se torna um imenso e incômodo buraco.

Como escrever um bom epílogo

Se você decidiu escrever um epílogo em seu livro, ele precisa ser arrebatador. Ou seja, ou finaliza o livro com chave de ouro ou melhor nem fazer.

Então, como escrever um bom epílogo? Confira as 4 dicas a seguir:

1. Mostre o impacto da história sobre as personagens principais

Quando o livro é bom e as personagens envolventes, é natural que os leitores fiquem apaixonados. E aí fica aquele desejo de saber o que aconteceu com elas depois que a trama foi encerrada.

Bem, neste caso, você pode usar o epílogo com esta finalidade. Mostre como os acontecimentos descritos no livro impactaram as personagens principais. De preferência, dê um salto no tempo – por exemplo, o que aconteceu alguns meses ou anos após o “Fim”.

Isto tem um efeito poderoso porque mostra que a história continua viva e que as personagens seguirão sua vida mesmo após a última página.

Por exemplo: Eu usei este recurso no epílogo do meu livro Centaurus & Essência que pode ser baixado gratuitamente. Baixe o livro e confira o que fiz ali. Você vai ver que dou um salto no tempo e mostro o que aconteceu com uma das personagens principais.

2. Revele novas informações

Não deixe que o epílogo seja apenas mais do mesmo. Para justificar sua existência, ele precisa trazer algo novo.

Ou seja, para fazer com que o epílogo seja impactante e memorável, você precisa revelar novas informações.

3. Mostre a história de outro ponto de vista

Esta técnica considero bem sutil e, ao mesmo tempo, poderosa.

Você narrou toda a história de um determinado ponto de vista. No epílogo, você se liberta da visão do narrador e descreve os eventos finais de outro ponto de vista.

Por exemplo:

Você escreve uma história de um ladrão de bancos que passa o tempo todo fugindo da polícia. No final, ele é preso e… The End!

Calma lá! No Epílogo, você pode mostrar o momento em que o ladrão entra em sua cela na prisão. O detalhe é que este evento você narra em primeira pessoa – sim, do ponto de vista do ladrão.

Esta é uma quebra impactante na forma como a história estava sendo narrada. E pode ser memorável!

4. Prepare seus leitores para uma continuação

Se seu objetivo ao escrever um livro é criar uma série, os epílogos são de ajuda. Eles servem como o pontapé inicial para a parte seguinte do seu livro, dando pistas do que os leitores devem aguardar.

Mas, cuidado: se a ideia é fazer uma série, você precisa plantar sementes ao longo de todo o romance. Isso é muito importante. Afinal, se criar epílogos sem esta antecipação, ele perde muito do potencial de impacto. E o resultado são leitores boiando sem entender o que você quis dizer.

Usar ou não um epílogo – A escolha é sua

Portanto, ao decidir se vai usar ou não este recurso narrativo, leve em consideração se ele é realmente necessário. Analise os prós e os contras.

Assim, faça uso dele somente se tiver certeza que elevará seu livro para outro nível.

E caso decida escrever um epílogo em seu romance, tenho certeza que as dicas acima serão suficientes para um resultado de boa qualidade.

Agora que você aprendeu sobre os epílogos, o que acha de ver algumas dicas sobre como escrever um livro passo a passo?

3 Comments

  1. John Amaro

    at

    Obrigado pela contribuição! Tens alguma abordagem sobre prefácios?

    • Juliano Martinz

      at

      Ainda não, John. Está no forno. Mas, tenho um artigo sobre prólogos.

  2. Amandio Fabiao Ndloze

    at

    Perfeito, estou a aprender muito aqui.

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