Escondia um terrível passado. Um passado do qual se envergonhava. Êxtases e infernos que preferiria não ter vivenciado. Mãos manchadas, pernas trêmulas com erros acumulados.

Mas agora era tarde demais para lamentar. E mais tarde ainda para desfazer mal feitos.

O que lhe restava agora era disfarçar palavras, tons de voz e trejeitos.

A família que formara não sabia do seu passado. A esposa achava que tinha diante de si o mais manso dentre os homens. Os filhos pensavam que seu pai tinha um passado tão incólume quanto um santo.

No entanto, toda maldita vez em que ele estava só era capaz de se lembrar daqueles gritos suplicando piedade.

Gritos que uma vez ele soube ignorar, mas que hoje eram tormentos que lhe impediam ter um segundo de paz.