Corrosiva

Crônicas corrosivas e gestos de amor

Apenas Um Conto Infantil… SQN

Os bichinhos viviam felizes na floresta. Uma floresta encantada, onde a paz se derramava como a neblina revigorante de todas as manhãs, e onde animaizinhos bebericavam felicidade gotejante junto ao orvalho.

Não havia nada ali que afetasse a harmonia, prejudicasse o equilíbrio, ou ameaçasse seu progresso. Todos os animais eram amigos e conviviam em uma fraterna sociedade. Era uma floresta tão fofucha que ali não existiam ursos, apenas ursinhos. Não havia macacos, só macaquinhos. E leões nunca passaram por lá, somente os graciosos leõezinhos.

E era ali que vivia Lilico – o macaquinho mais peralta da floresta. Estava sempre aprontando com os amiguinhos. Era o responsável pelas artes, sempre acompanhadas de suas gargalhadas inconfundíveis.

Certa vez, recolheu todas as frutas podres que encontrou, subiu em uma árvore, e fez mais uma de suas peraltices: sob intensas gargalhadas, atirava as frutas podres em quem passasse por perto. Lógico que houve muitos protestos. Mas no final do dia, todos se lembraram do ocorrido e deram boas risadas.

Como em qualquer sociedade ordeira, prezavam pela comunicação. Todos os animaizinhos costumavam se reunir no início da noite. Após um dia intenso de trabalho ou brincadeiras, eles se reuniam para conversar, contar histórias, e apontar os problemas existentes na floresta. Nestas reuniões, muitas vezes Lilico falava. Mas, suas falas eram resumidas a piadas e brincadeiras – o danadinho vivia pregando peças nos outros.

Certo dia, Lilico não apareceu na reunião. A princípio, ninguém se preocupou. No máximo, ficaram temerosos de que uma chuva de frutas podres começasse a cair sobre todos. Mas nem isso, nem qualquer outra arte aconteceu. Lilico simplesmente não apareceu.

No dia seguinte, porém, mal o Sol havia se levantado, imponente, quando encontraram Lilico morto. Não se sabe quem fez ou quais as motivações. Mas viriam a descobrir, nos próximos dias, que havia um serial killer entre eles, e que os animais seriam mortos, um a um. Era isto o que a terrível cena diante dos seus olhos pressagiava – o pobre macaquinho degolado, a língua roxa saltada pela boca, enquanto filetes de sangue corriam do seu pescoço.

Na verdade, não era bem isso. Eram filetinhos de sanguinho vermelhuxo que corriam do seu pescocinho fofucho.

8 Comments

  1. Mas o q? KKKKKKKKKKK… Amei

  2. Adoravelmente bizarro!

  3. Eu acho que é uma deixa para um futuro livro…

  4. Cleuza Martins

    31 agosto, 2018 at 13:25

    Puxa que triste!! Oh mundo perdido!!

  5. kkkkkkkk Muito top! Escreva mais! Parabéns pela criatividade.

  6. Awwwwnnnn mais que bizarro essa fofura..

  7. Ana Maria Pereira

    13 março, 2019 at 19:15

    Muito gostosa, fofa. É isso que está faltando nas pessoas. Hoje quase não se ver estas fantasias. Tudo é muito “real” Parabéns!

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