Corrosiva

Crônicas corrosivas e gestos de amor

PARANOICO, NÃO ANDROIDE

Testando… um, dois, três. Personagem no cume das atenções. Reciclado. Em teste. Ainda não habita, mas tenta se habituar. Personagem com 35 anos mal cumpridos abre a janela e é alvejado pelo Sol. Como um vampiro, sente sua pele arder. Há um cheiro de queimado no ar. Recicla-se. Novas ponderações. Vida tolhida. Restos colhidos. Ratos, baratas, flores. Hora da limpeza. Ainda é um teste. Ele não sabe se vai funcionar. Ele ainda vê o mundo pelo retrovisor – só percebe o que passou.

Paranoico, Não Androide

Testando… teste… Há alguém do lado de fora? Sinto intensidades, ouço batidas de coração – mas não ouço chamarem meu nome. Rugidos ou gemidos se confundem. Gritos que serpenteiam meus ouvidos. Mas são mensagens que perdem o calor e a clarividência no caminho. Alguém pode me ouvir? Testando, um, dois, três. Uma batida. Seria novamente o coração? O meu, o seu? O nosso bateria no mesmo compasso? Perco a orientação. Cedo, cesso. Olhos na janela. A impessoalidade deste meu uniforme. Não sei como te mostrar isso. Não sei como dizer que te amo. Não sei como dizer que ainda sou um personagem, e que ainda estou em teste. Não me teste, apenas. Mas teste, e aprove.

Testando…

I may be paranoid, but no android – Radiohead

(Crédito foto: Jean Scheijen)
 

borda

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1 Comment

  1. Super legal!!! Nos leva a imaginar quem sabe em”futuro não muito longe”que a tecnologia permita que eventuais antroídes supliquem para serem aprovados do contrário deram que ser destruídos.

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