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Crônicas corrosivas e gestos de amor

Ponto de Vista da Terceira Pessoa – Onisciente e Limitado

A narração em terceira pessoa oferece a oportunidade de utilizarmos pontos de vista onisciente e limitado. Qual a diferença entre eles?

Quando escrevemos um romance ou um conto podemos utilizar diferentes pontos de vista. Estes nada mais são do que as perspectivas por meio das quais a história será contada: primeira, segunda e terceira pessoa.

Quando o autor escolhe narrar sua história utilizando a terceira pessoa, ainda precisa escolher entre dois pontos de vista: onisciente ou limitado.

Ponto de Vista Onisciente

Ponto de vista onisciente

Sob esta perspectiva, o narrador da história conhece todos os sentimentos e pensamentos das personagens.

Este estilo de narrativa abre um gigantesco manancial de oportunidades para o escritor. O narrador pode abranger sentimentos e tendências de personalidade que a própria personagem desconhece ou que se recusa a aceitar. Não há segredos para o escritor. Ele pode perscrutar o fundo da alma, abranger todos os detalhes, assumindo a estimada posição do que realmente é: criador da história.

Exemplo:

“Ele sofria como um tolo desde a despedida dela. Dizia para si mesmo um milhão de vezes que ela um dia voltaria. Mas no fundo, o idiota se obrigava a acreditar nesta imbecil fantasia. Afinal, era a única coisa que o impedir de estourar os próprios miolos”.

Ponto de Vista Limitado

Ponto de vista limitado

Um ponto de vista limitado, por outro lado, permite que o narrador conheça intimamente apenas uma personagem. As demais são apresentadas unicamente de forma superficial. Pontos de Vista Limitados da Terceira Pessoa concedem maior liberdade do que a narração em primeira pessoa. Nesta última, o narrador se limita a descrever os pensamentos e sentimentos assumidos pela personagem principal. No entanto, narrando em terceira pessoa, sob o ponto de vista limitado, permitirá que o escritor exponha melhor seus textos reflexivos, abrangendo melhor os sentimentos, conceitos e falhas de personalidade que a própria personagem se recusa a admitir.

Exemplo (compare com o exemplo acima):

“Ele sofria como um tolo desde a despedida dela. Dizia para si mesmo um milhão de vezes que ela um dia voltaria. E gastava todos os segundos de sua vida alimentando esta esperança”.  

12 Comments

  1. ameii muito ..

  2. Gratidão pelas dicas, maravilhosas muito esclarecedoras, eu não conhecia…

  3. Olá Juliano,

    Estou lutando para escrever o meu primeiro livro – já deve ter lido muito esta frase não é? Mas, sim, sou mais um. E desbravando a internet, fui conectado a este blog. O mais triste e o mais feliz é que: de muitas coisas que pesquisei e li em diversos sites encontrei tudo aqui. É, escritor tem que ler muito.

    Meu caro, minha dúvida – sobre este assunto é: Posso misturar pontos de vista e primeira e terceira pessoa em uma história? Vou tentar me explicar melhor.

    Tenho um personagem que vai morar em um condomínio. Até agora, a história está em primeira pessoa. Entretanto, quando ele sair do condomínio, outro fatos ocorrem logo após a sua saída. Ora, se ele não vai esta ali para descrever o ocorrido, como poderei fazer isto se a história se passa em primeira pessoa?
    ———————————
    “Peguei o carro e sai as pressas dali. Ao chegar ao portão, vi um rosto conhecido entrando pelo mesmo caminho que havia feito dias atrás. Não tinha mais tempo. Ele que descubra o que é este lugar!

    – Olá meu filho! – Zacarias o recebeu com o sorriso de sempre. – Venha, mostrarei-lhe as nossas dependências.

    O novo morador não entendia direito o que estava acontecendo. Estava meio zonzo do acidente que sofreu minutos atrás. A cicatriz em seu rosto o denunciava. Sim, era ele: Alvaréz”…
    ————————————–

    O primeiro parágrafo esta em primeira pessoa dita pelo meu personagem principal.
    O segundo é a fala de outro personagem.
    O terceiro é que estou com dúvida. É uma narrativa em terceira pessoa. Não é um personagem, ele explica eventos, sentimentos que contribuem para a história. Aparece diversas vezes explicando fatos ocorridos longe do alcance do personagem principal, como em outra ocasião a descrição da infância de um personagem o qual nunca se viram na infância.

    Obrigado. E já virei fã!

    Pode isso?

    • Juliano Martinz

      14 junho, 2016 at 18:53

      Se pode isso? Bem, Lucas, se o livro é seu, tudo pode. Você pode estabelecer um novo estilo que foge do que foi estabelecido como padrão.
      O problema, no caso que você apresentou, é que o recurso utilizado pode revelar amadorismo. Como se você usasse um ardil para escapar de uma situação sem saída. Este tipo de recurso é pobre e até confuso. Prejudica a fluência da leitura porque coloca e arranca o leitor de mais de um ponto de vista, em questão de parágrafos.

      Por outro lado, um recurso já utilizado por escritores em todo o mundo é alternar pontos de vista em capítulos diferentes. Acredito que isto possa estabelecer uma ordem na sua narrativa, deixando-a mais clara.

      • Olá Juliano. Obrigado por sua tão prontamente resposta.

        Entendi o que me ensinou e estava achando isso mesmo – amadorismo, até que sou, mas estou tentando fazer não como um profissional, mas como um amador esforçado rs…

        Encontrei – acredito, uma saída: Um Epílogo se escreve ao final de uma história, estou certo? Então eu poderia finalizar a história com o protagonista. Depois no epílogo, faria uma narrativa mostrando os fatos a quem do conhecimento do protagonista?

        Muito obrigado Juliano. Que Deus lhe abençoe.

  4. Olá. Como posso alternar entre a narrativa dos personagens, no caso em 3ª pessoa, e meu comentário acerca dos acontecimentos? O que acontece é que no decorrer da história eu acrescento ensinamentos morais do meu ponto de vista. Permita-me um exemplo para elucidar:

    Uma tempestade se aproximava, o céu escurecia com nuvens carregadas. Felipe começa a chicotear seu cavalo e cavalgar em alta velocidade, ele precisava o quanto antes possuir um revólver. O vento que trazia o temporal batia com força em seu rosto, entretanto Felipe não desistia, seu objetivo era um só naquele momento, nada o faria voltar, nada o faria parar.
    Tememos pelo pior, os males da vida terrena nos amedronta. Um acontecimento fora do normal assusta, é compreensível. Todavia, ao percebermos a fundo o porquê das coisas e enxergarmos muito além do superficial o que tanto aterroriza, veremos que muitas vezes vem para amenizar um mal maior. A ajuda chega, mesmo que aparentemente de uma forma dolorida.
    Entre escuridão e tempestade, entre pensamentos de ira, o esperado acontece. Felipe sofre um acidente! Em alta velocidade seu cavalo tropeça em algumas pedras e perde o equilíbrio. Felipe se assusta, cai bruscamente batendo a cabeça ao chão e perde a consciência imediatamente.

    No segundo parágrafo – quando paro a história para explicar fatos que fogem do conhecimento das personagens – eu sigo conforme exposto ou devo colocar em itálico, aspas, pular uma linha ou mesmo mudar a fonte?

    Se puder responder, me ajudará enormemente.
    Muito obrigado.

    • Juliano Martinz

      14 dezembro, 2016 at 10:50

      Olá Marcelo, Este formato narrativo é pouco explorado. A regra que deve ser aplicada é a seguinte: sempre que alternar pontos de vista, deve existir algum indicativo claro disso. Por quê? Para evitar que o leitor fique confuso. Acredito que as aspas possam atuar melhor no seu caso. Embora o livro seja seu, permita-me uma sugestão: procure não inserir com muita frequência estes pensamentos. Eles podem interromper o envolvimento emocional do leitor com a trama. Abraços.

      • Obrigado pela pronta resposta Juliano!
        Seguirei todas as sugestões.

        Se me permite uma outra pergunta, bem simples: acha que uma linha em branco nas alternâncias é interessante ou apenas o parágrafo?

        Abraço!

        • Juliano Martinz

          16 dezembro, 2016 at 10:20

          Olá Marcelo… Uma linha em branco pode transmitir a ideia de mudança de cena ou pensamento. Acredito que apenas um parágrafo seja o ideal.

          Abraços

    • Não sei se servirá para o seu caso, no meu por exemplo eu uso de um símbolo para indicar passagens de tempo: # . Assim, o leitor – espero, entenda que houve um intervalo entre as ações.

      Se não forem muito personagens, acredito que dá para você indicá-los na forma de falar. Em meu livro – ainda apanhando com a edição mas disponível no WattPad: https://www.wattpad.com/myworks/75814186-a-cidade – o personagem principal é um homem razoavelmente culto na língua. Já outro, não pode conter o mínimo de erros de ortografia e gramática; outro uso de gírias. Quando coloco os diálogos reunidos para avaliação, diferentes personagens são observados.

      Mas se todos falam “a mesma língua?”
      Vou usar de dois personagens em diálogo para tentar ilustrar.

      Pensei que não a veria mais. Ela está tão bonita: seu caminhar, suas roupas e até mesmo o seu cabelo arrepiado agradam meus olhos e até o meu palpitante coração. Ela olha para mim e vem em minha direção.

      Lá está ele. Nossa como estou ridícula com está roupa… e esse meu cabelo, logo hoje tinha que iniciar uma nova rebelião? Espero que ele não note.

      – Olá Maria, tudo bem com você?
      -Oi Pedro. Tudo bem.

      Ufa, que alívio, ele não deu a menor bola para o meu cabelo. Ou ele seria muito cínico?


      Bom espero ter ajudado.
      Ps: Não ligue para os erros de português, ainda estou aprendendo as mil e um regras da escrita kkkkk.

  5. Eu prefiro a 3ª pessoa onipresente, assim eu tenho muito mais flexibilidade para fazer a história.

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