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Crônicas corrosivas e gestos de amor

Ponto de Vista da Terceira Pessoa – Onisciente e Limitado

A narração em terceira pessoa oferece a oportunidade de utilizarmos pontos de vista onisciente e limitado. Qual a diferença entre eles?

Quando escrevemos um romance ou um conto podemos utilizar diferentes pontos de vista. Estes nada mais são do que as perspectivas por meio das quais a história será contada: primeira, segunda e terceira pessoa.

Quando o autor escolhe narrar sua história utilizando a terceira pessoa, ainda precisa escolher entre dois pontos de vista: onisciente ou limitado.

Ponto de Vista Onisciente

Ponto de vista onisciente

Sob esta perspectiva, o narrador da história conhece todos os sentimentos e pensamentos das personagens.

Este estilo de narrativa abre um gigantesco manancial de oportunidades para o escritor. O narrador pode abranger sentimentos e tendências de personalidade que a própria personagem desconhece ou que se recusa a aceitar. Não há segredos para o escritor. Ele pode perscrutar o fundo da alma, abranger todos os detalhes, assumindo a estimada posição do que realmente é: criador da história.

Exemplo:

“Ele sofria como um tolo desde a despedida dela. Dizia para si mesmo um milhão de vezes que ela um dia voltaria. Mas no fundo, o idiota se obrigava a acreditar nesta imbecil fantasia. Afinal, era a única coisa que o impedir de estourar os próprios miolos”.

Ponto de Vista Limitado

Ponto de vista limitado

Um ponto de vista limitado, por outro lado, permite que o narrador conheça intimamente apenas uma personagem. As demais são apresentadas unicamente de forma superficial. Pontos de Vista Limitados da Terceira Pessoa concedem maior liberdade do que a narração em primeira pessoa. Nesta última, o narrador se limita a descrever os pensamentos e sentimentos assumidos pela personagem principal. No entanto, narrando em terceira pessoa, sob o ponto de vista limitado, permitirá que o escritor exponha melhor seus textos reflexivos, abrangendo melhor os sentimentos, conceitos e falhas de personalidade que a própria personagem se recusa a admitir.

Exemplo (compare com o exemplo acima):

“Ele sofria como um tolo desde a despedida dela. Dizia para si mesmo um milhão de vezes que ela um dia voltaria. E gastava todos os segundos de sua vida alimentando esta esperança”.  

5 Comments

  1. ameii muito ..

  2. Gratidão pelas dicas, maravilhosas muito esclarecedoras, eu não conhecia…

  3. Olá Juliano,

    Estou lutando para escrever o meu primeiro livro – já deve ter lido muito esta frase não é? Mas, sim, sou mais um. E desbravando a internet, fui conectado a este blog. O mais triste e o mais feliz é que: de muitas coisas que pesquisei e li em diversos sites encontrei tudo aqui. É, escritor tem que ler muito.

    Meu caro, minha dúvida – sobre este assunto é: Posso misturar pontos de vista e primeira e terceira pessoa em uma história? Vou tentar me explicar melhor.

    Tenho um personagem que vai morar em um condomínio. Até agora, a história está em primeira pessoa. Entretanto, quando ele sair do condomínio, outro fatos ocorrem logo após a sua saída. Ora, se ele não vai esta ali para descrever o ocorrido, como poderei fazer isto se a história se passa em primeira pessoa?
    ———————————
    “Peguei o carro e sai as pressas dali. Ao chegar ao portão, vi um rosto conhecido entrando pelo mesmo caminho que havia feito dias atrás. Não tinha mais tempo. Ele que descubra o que é este lugar!

    – Olá meu filho! – Zacarias o recebeu com o sorriso de sempre. – Venha, mostrarei-lhe as nossas dependências.

    O novo morador não entendia direito o que estava acontecendo. Estava meio zonzo do acidente que sofreu minutos atrás. A cicatriz em seu rosto o denunciava. Sim, era ele: Alvaréz”…
    ————————————–

    O primeiro parágrafo esta em primeira pessoa dita pelo meu personagem principal.
    O segundo é a fala de outro personagem.
    O terceiro é que estou com dúvida. É uma narrativa em terceira pessoa. Não é um personagem, ele explica eventos, sentimentos que contribuem para a história. Aparece diversas vezes explicando fatos ocorridos longe do alcance do personagem principal, como em outra ocasião a descrição da infância de um personagem o qual nunca se viram na infância.

    Obrigado. E já virei fã!

    Pode isso?

    • Juliano Martinz

      14 junho, 2016 at 18:53

      Se pode isso? Bem, Lucas, se o livro é seu, tudo pode. Você pode estabelecer um novo estilo que foge do que foi estabelecido como padrão.
      O problema, no caso que você apresentou, é que o recurso utilizado pode revelar amadorismo. Como se você usasse um ardil para escapar de uma situação sem saída. Este tipo de recurso é pobre e até confuso. Prejudica a fluência da leitura porque coloca e arranca o leitor de mais de um ponto de vista, em questão de parágrafos.

      Por outro lado, um recurso já utilizado por escritores em todo o mundo é alternar pontos de vista em capítulos diferentes. Acredito que isto possa estabelecer uma ordem na sua narrativa, deixando-a mais clara.

      • Olá Juliano. Obrigado por sua tão prontamente resposta.

        Entendi o que me ensinou e estava achando isso mesmo – amadorismo, até que sou, mas estou tentando fazer não como um profissional, mas como um amador esforçado rs…

        Encontrei – acredito, uma saída: Um Epílogo se escreve ao final de uma história, estou certo? Então eu poderia finalizar a história com o protagonista. Depois no epílogo, faria uma narrativa mostrando os fatos a quem do conhecimento do protagonista?

        Muito obrigado Juliano. Que Deus lhe abençoe.

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