Corrosiva

Crônicas corrosivas e gestos de amor

Eu, Mutante

Sou um mutante tectônico. Uma tribulação interna que traz erupções cutâneas capazes de gerar mudanças climáticas, movimentos sísmicos. Um casual olhar orogenético, favorável ou com desfavor, e temos uma nuvem de pó e destroços.

Sou um mutante tectônico. Meus passos rastejantes deixam rastros aleatórios de destruição. Meus respirar provoca ondas sonoras que alteram as marés. O som da minha voz corrompe notas musicais e arranca seus suspiros ofegantes. Meus sentimentos são tempestades que assolam estruturas, pavimentos e esperanças.

Sou um mutante tectônico e já dei a volta ao mundo. Mas, retornei ao ponto de onde parti. Quando aqui cheguei, percebi que nada sobrou. Por onde passei, com meus passos, respiração, palavras e sentimentos exterminei vida e concreto, suspiros e proporções.

Como último ser de pé, decidi então olhar para mim mesmo. Uma aniquilante autoanálise. E quando me encarei, meu olhar decepcionado fulminou uma explosão interna que me despedaçou. Órgãos e peles atirados ao vento, convertidos em cinzas, misturados ao pó. E aqui passei a jazer.

Eu era um mutante tectônico.

8 Comments

  1. camila Paula

    at

    Gostei dessa crônica eu só tenho onze anos de idade mais eu exploro varias crônicas esse foi o que eu mais gostei parabéns adorei 👏🏽👏🏽👏🏽

    • Juliano Martinz

      at

      Obrigado pela visita e pelas palavras elogiosas, Camila.

  2. jamylly

    at

    olá, boa noite. eu estou fazendo um trabalho com sua crônica mas n sei
    quando vc postou essa crônica …dia , mês , e ano

    • Juliano Martinz

      at

      Olá Jamylly. A crônica “Eu, Mutante” foi escrita e postada no dia 17/08/2017. Espero que se dê super bem no seu trabalho!

      • Carlos Kauã

        at

        Foi você que escreveu?

        • Juliano Martinz

          at

          Sim, Carlos.

  3. Gostei das analogias, às vezes poéticas, tanto podem ser comparadas as mudanças ocorridas no corpo dos adolescentes, como as mudanças advindas da maturidade que nos lega a experiência e o choques com a realidade. Parabéns!

  4. Jefferson

    at

    Destruir e se destruir… boa!

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