Corrosiva

Crônicas corrosivas e gestos de amor

Cassandra Vai a Roma

No dia de sua morte, Severina é fustigada pelo Sol impiedoso.

Severina teve filhos. Vários deles. Cada qual, um rumo na vida. Um virou doutor. Outro andarilho. E ainda outro natimorto. O restante, cálida sina de seres inanimados, jamais deu notícias.

Agora, a viúva Severina (viúva do último, mas abandonada pelo primeiro) rasteja suas pernas finas cambaleantes pelo árido sertão piauiense.

Antes que ela consiga chegar ao próximo vilarejo, Severina cai morta – um baque elegante de um corpo esquelético, escanzelado, no chão poeirento e inóspito.

Porém, antes do impreciso último suspiro, Severina tem um último pensamento inquietante: “Por que raios o nome desta crônica é Cassandra Vai a Roma”?

7 Comments

  1. Geovanna Camargo

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    Nossa, show!
    Estarei lendo essa crônica em um dos meus trabalhos. Demais kkk
    Parabéns pela escrita e pela criatividade!

  2. marco

    at

    Rachei kkkk, vai ser o tema do meu seminário de português do oitavo ano.

    • Juliano Martinz

      at

      Fico feliz que tenha gostado, Marco. Espero que o texto seja de ajuda em seu seminário. Abraços

      • marco

        at

        A crônica é baseada em ”A morte e a vida Severina”?

        • Juliano Martinz

          at

          Não. Qualquer semelhança é coincidência.

  3. Augusto

    at

    Kkkk… muito boa. Parabéns

  4. Ivana Guerra

    at

    Muito boa.. parabéns

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