Corrosiva

Crônicas corrosivas e gestos de amor

Serena

Não eram exatamente passos. Era praticamente um arrastar-se. No meio da noite, trôpega, caminhava Serena em meio ao nada. Sabe como é: desilusões que se derramam sobre uma alma sedenta, vinte e poucos anos de discórdia, deixa qualquer miserável pra baixo. Um turbilhão de sonhos, e um punhado de realismo. Com ela não seria diferente. O que dizer? O que esperar? Com quem contar?

Serena era somente ela. Não havia tanto a dizer. Como definir o indefinível? Ela vazava inquietação, um tanto querer que lhe desfigurava bochechas e queixos. Seu ser e estar em constante mutação. Elos de um ego singelo. Sedenta. Sedosa. Serena.

MSerenaas a vida, salivando, lhe fustigou os lombos enquanto gargalhava facas e nódulos. Era a discórdia pintada de branco e preto nos vazios diários do seu não viver. Rimas que revolviam seu estômago em um contorcer-se interminável. O mesmo sol moribundo lhe esbofeteando a decência e a autoestima a cada manhã. E por tanto querer o que tanto queria, certo dia, Serena despiu-se de esperar a esperança lhe flertar.

E foi assim o fechar do livro de sua história. Gritos e sussurros embrulhado em papel de pão, guardados na última gaveta. E foi assim que Serena, que sonhava sentir, certo dia, simplesmente cessou de ser e estar.

 

borda

Receba Novidades

Insira seu e-mail para ser notificado sobre novas postagens da Literatura Corrosiva!

Seu e-mail (obrigatório)

2 Comments

  1. Gostei muito desse texto “Serena” achei interessante, é algo dentro da realidade de muitas pessoas.
    Não sei de quem é o texto mas está de parabéns!
    Muito bem colocada.
    Secesso.

  2. Ótimo texto!! Embora nem todos nós suprimimos nossos desejos mais fortes, como o amor, dessa forma… Ainda assim, suprimimos outros desejos menores e talvez nossa cabeça funcione sempre assim… um pouquinho de nós morre cada vez que desistimos de algum sentimento… Ótimo texto!!! Parabéns!

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*

© 2016 Corrosiva

Theme by Anders NorenUp ↑