Sou um mutante tectônico. Uma tribulação interna que traz erupções cutâneas capazes de gerar mudanças climáticas, movimentos sísmicos. Um casual olhar orogenético, favorável ou com desfavor, e temos uma nuvem de pó e destroços.

Sou um mutante tectônico. Meus passos rastejantes deixam rastros aleatórios de destruição. Meus respirar provoca ondas sonoras que alteram as marés. O som da minha voz corrompe notas musicais e arranca seus suspiros ofegantes. Meus sentimentos são tempestades que assolam estruturas, pavimentos e esperanças.

Sou um mutante tectônico, e já dei a volta ao mundo. Retornei ao exato ponto de onde parti. Quando aqui cheguei, percebi que nada sobrou. Por onde passei, com meus passos, respiração, palavras e sentimentos exterminei vida e concreto, suspiros e proporções.

Como último ser de pé, decidi então olhar para mim mesmo. Uma aniquilante autoanálise. E quando me encarei, meu olhar decepcionado fulminou uma explosão interna que me despedaçou. Órgãos e peles atirados ao vento, convertidos em cinzas, misturados ao pó. E aqui passei a jazer.

Eu era um mutante tectônico.