Corrosiva

Crônicas corrosivas e gestos de amor

Eu, Mutante

Sou um mutante tectônico. Uma tribulação interna que traz erupções cutâneas capazes de gerar mudanças climáticas, movimentos sísmicos. Um casual olhar orogenético, favorável ou com desfavor, e temos uma nuvem de pó e destroços.

Sou um mutante tectônico. Meus passos rastejantes deixam rastros aleatórios de destruição. Meus respirar provoca ondas sonoras que alteram as marés. O som da minha voz corrompe notas musicais e arranca seus suspiros ofegantes. Meus sentimentos são tempestades que assolam estruturas, pavimentos e esperanças.

Sou um mutante tectônico, e já dei a volta ao mundo. Retornei ao exato ponto de onde parti. Quando aqui cheguei, percebi que nada sobrou. Por onde passei, com meus passos, respiração, palavras e sentimentos exterminei vida e concreto, suspiros e proporções.

Como último ser de pé, decidi então olhar para mim mesmo. Uma aniquilante autoanálise. E quando me encarei, meu olhar decepcionado fulminou uma explosão interna que me despedaçou. Órgãos e peles atirados ao vento, convertidos em cinzas, misturados ao pó. E aqui passei a jazer.

Eu era um mutante tectônico.

1 Comment

  1. Destruir e se destruir… boa!

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