Corrosiva

Crônicas corrosivas e gestos de amor

A Lenda de King Jeremy – CAPÍTULO 2

Humano e sincero, para onde você está olhando?

A única conclusão a que ele chegou era: aquele magrelo idiota estava querendo apanhar. Um completo estranho, que no primeiro dia de aula, dissera querer tornar-se um astro do rock, só podia ansiar desesperadamente por uma surra bem aplicada. E se ele desejava conquistar admiração, acabou se dando mal. Fora obrigado a ouvir um coral de risadas que entrariam como lâmina na alma de qualquer idiota.

E como jogava mal! Por culpa dele, o time de Aquiles perdeu por dez a dois. Andreas ficara no gol e tomara um frango atrás do outro. Três por debaixo das pernas. Perna de pau elevado ao cubo. As garotas na plateia se acabaram de tanto rir. Mas o magricela merecia. Não conseguia segurar uma bola e queria ser roqueiro.

Era verdade que Aquiles também gostava de rock. Seu irmão tinha discos e mais discos de rock setentista, e Aquiles acabara se acostumando a este estilo. Quando era criança, seu irmão vivia com o rádio ligado. Naquela época, o rock imperava na maioria das estações. Mas, como seu irmão dizia, os tempos tinham mudado e o rock morrera. Nas rádios de hoje, os ouvidos eram impiedosamente bombardeados com dance music e Michael Bolton. Lamentável!

Aquiles Lucká estava iniciando a sexta série … mais uma vez. Depois de repeti-la duas vezes, ele novamente voltava a integrar o grupo de garotos de onze e doze anos. Um misto de ansiedade e vergonha entrava de sola em seu peito, afinal, já estava com quinze anos e não parecia nada agradável ter como colegas pirralhos que só pensavam em Jaspion. E como consequência, ele era encarado como o anormal, o repetente, o lerdo mental que não conseguia sequer acompanhar o desenvolvimento escolar dos jaspionmaníacos.

E será que não tinham razão? Aquiles tinha grande dificuldade em aprender qualquer coisa. De matemática a outro idioma, tudo parecia impossível para ele. Sempre ouvira falar que jovens com dificuldades na escola tinham uma inteligência mal direcionada. Podiam ser péssimos alunos, mas provavam-se gênios quando descobriam a verdadeira vocação. O problema era que Aquiles era um fracasso em todo e qualquer campo. Um imbecil de carteirinha! Nos esportes, tentara futebol e natação, mas sem sucesso. Com o tempo, Aquiles acumulara uma dezena de medalhas no seu quarto – todas elas de segundos e terceiros lugares. Depois, decidiu mudar seus alvos e tentou artes cênicas. Em outras épocas, havia na escola um pequeno grupo de teatro. Ele fez vários testes para ser aprovado, mas sempre esquecia o texto. Na sua vez, ele ficava em completo silêncio. Depois de várias tentativas que se estenderam por meses, ele desistira. Aquiles se via obrigado a sempre observar seus colegas vencendo e sendo congratulados, enquanto ele era apenas uma máscara de desânimo e decepção. Para ele restava apenas o segundo lugar em tudo, e ser o segundo era o mesmo que ser o último – não se ganhava qualquer reconhecimento ou louvor.

E o coitado era feio. Loiro e baixo, tinha um bigodinho ridículo, além dos olhos estrábicos que, desde pequeno, arrancara-lhe o respeito e o amor-próprio. Até hoje ainda ouvia seus colegas: “Para onde você está olhando?” Cada palavra, uma verdadeira estocada.

Mas a despeito de qualquer aparência nada agradável, Aquiles acreditava que alguma coisa de bom deveria haver nele. Ele não poderia estar fadado a uma existência tão funesta. Haveria um dado momento em que ele, pela primeira vez, estaria em primeiro lugar, no lugar mais alto do pódio.

Gostar do que fazia e ser bom nisso – isso lhe faria sentido. Tudo o que ele precisava fazer era descobrir no que ele era bom. Parecia uma tarefa difícil. Talvez, quase impossível.
Mas sua vida dependia disso.

Depois da “lavada” no salão, Aquiles voltou para a sala de aula. Lá dentro os comentários eram sobre Andreas. O time vencedor ficou dizendo:

– Da próxima vez, por favor, coloquem o roqueiro de novo no gol.

Andreas estava encolhido, lá no fundo da sala, cabeça baixa. Escrevia alguma coisa no caderno. O patético poderia sorrir, pelo menos. Brincar um pouco com os caras. Se zombavam dele, ele tinha mais é que rir e dizer: “Da próxima vez me escolham como gandula”. A pior coisa para um perdedor é ficar com a cara amarrada. Aí que ele se torna um alvo fácil.

O próprio Aquiles era zombado como ninguém. Ele tinha múltiplos apelidos que variavam entre Zaro, Vesgo, Cego, ou Willie Caolho. Quando o chamavam assim, Aquiles não ficava fazendo cara de criança chorona. Baixar a cabeça, como o otário do Andreas, seria suicídio.

A próxima aula foi de Geografia. Todo mundo fedendo como porcos, moscas em tudo quanto é lado, e a professora mais baixa do planeta falando sobre Geografia. Tudo o que os professores falavam, Aquiles tinha a súbita sensação de deja vú – e como poderia ser diferente? Seus pais ficaram umas feras quando souberam que ele tinha repetido pela segunda vez. Mas no final das contas, acabaram aceitando a triste situação. Parecia que tinham bem em mente a toupeira que tinham parido e de que nada adiantaria ficar atormentando o garoto. O irmão e a irmã de Aquiles, ao contrário, se acabavam de tanto rir. Diziam que bastava gritar em seu ouvido que daria para ouvir o eco em sua cabeça vazia. Certa vez, uma professora pedira aos alunos para que definissem a si mesmos em duas palavras. Aquiles escrevera: humano e sincero. A professora dissera que gostara muito da definição de Aquiles e que se encaixava exatamente com o que ele era. Quando Aquiles contou isso em casa, seu irmão dissera:

– Tenho duas palavras melhores para definir você: feio e burro.

Não dava para negar que seu irmão tinha razão: era feio e burro. E estas últimas características acabavam suplantando as primeiras.

Triste fim para um humano sincero.

Aquiles tentou prestar atenção na aula de geografia. Enquanto a professora dissertava, a porta da sala foi aberta e um anjo entrou.

E o anjo era a coisa mais linda que Aquiles já havia visto em toda sua vida. Era uma garota que se mudara para o bairro havia pouco tempo. Ele não sabia seu nome. Apenas que era a princesa dos seus sonhos mais secretos. Ela era a perfeição em forma humana: cabelos loiros, longos e lisos, que pareciam refletir cada centelha de luz. Os olhos claros, esverdeados, a boca desenhada a mão por algum grande artista da natureza universal. Dentes brancos e retos, envolvidos por lábios intensos que selavam o vermelho no íntimo de Aquiles. As flores prestavam reverência quando a musa desfilava entre elas. E de joelhos, clamavam: “Obrigada por nos servir de inspiração”.

Aquiles sabia que ela tinha vindo do Rio de Janeiro. E agora moravam no mesmo bairro, o que lhe permitia vê-la, eventualmente. Aquiles não era do tipo de se apaixonar tão fácil, mas aquela garota era diferente. Ela roubava-lhe o fôlego, e o substituía por um intenso calor em seu peito.

Ela estudava na sala ao lado, sexta série B. Um grande azar os dois não estudarem na mesma sala. Seria mais fácil para ele se aproximar. Faria com que ela se expressasse sobre seus anseios e temores. Ele seria um verdadeiro amigo, uma pessoa que ela sempre procuraria para desabafar. E com o tempo ele lhe confessaria seu amor. E com o tempo ela aprenderia a amá-lo. E o tempo resolveria tudo, todas as inconstâncias e incertezas da vida de Aquiles Lucká. Para ele, tudo se resolvia com o tempo.

O anjo abriu a boca para falar enquanto Aquiles acompanhava detidamente cada músculo movido de sua face para realizar a ação.

– A professora Cátia pediu um giz emprestado – disse ela para a professora de Geografia.

Aquilo que ele ouviu foi a voz de um querubim ou era ela mesma falando?

– Essa menina é demais – falou Reginaldo, um tipo bonitão que sentava atrás de Aquiles.

Aquiles virou-se.

– Quem é ela?

– Você não a conhece? Veraline, a garota mais bonita da cidade.

O anjo agora tinha um nome: Veraline.

– Veraline, Veraline – repetia para si mesmo. Depois falou para Reginaldo: – Que nome lindo.

Ela é linda. Seu nome é um lixo.

– Nem é. O nome Veraline combina com ela.

– Que se dane o nome dela. Estou interessado nesse monumento. Se um dia eu tiver uma mulher como essa, serei um homem realizado.

– Então pare de se comportar como um animal. Por que não se interessa um pouco no que ela tem a dizer?

– Quê…? Do que está falando, vesgo imbecil?

– De humanidade.

– Ao inferno com sua humanidade, seu retardado – arrematou, antes de desferir um violento tapa na nuca de Aquiles, que chegou soltar um grunhido de dor.

– Por que me bateu?

– Você vive dizendo besteiras.

Aquiles teve ímpeto de reagir, mas Reginaldo era bem maior. Por fim, aquiesceu.

Com a nuca ardendo, Aquiles observou Veraline sair da sala. Ela se fora tão rápida e suavemente quanto entrara, mas deixou ali um delicioso perfume impregnando o ar. E a imagem dos seus cabelos dançando enquanto se movimentava ficou gravada na sua memória. Aquiles ficou estático, olhando a porta da sala há pouco fechada. Na verdade, seus olhos estavam dançando em alguma dimensão paralela.

Veraline, Veraline.

Ali estava uma garota que Aquiles gostaria de conhecer, saber o que ela pensava, as coisas das quais gostava, e o que a tirava do sério. Sempre tivera este desejo, desde o primeiro dia em que a vira. E agora, por sorte, estavam estudando no mesmo colégio, mas por azar, em turmas diferentes. Mas isso não haveria de ser um problema. As oportunidades apareceriam, e Aquiles tinha uma forte expectativa de conhecê-la melhor.

Quem sabe dessa vez, Aquiles não atingiria o primeiro lugar?

___

Quando a última aula terminou, Aquiles apanhou sua bolsa e saiu correndo, com a esperança de ver Veraline, outra vez. Aquele dia era muito especial: pela primeira vez ele ouvira sua voz. Ou teria sido a mais nova sinfonia de Mozart?

Ele ficou num canto, no corredor que dava acesso a saída, dando passagem para os alunos, que passavam por ele, apressadamente. Aquiles esperaria até que ela chegasse bem perto para poder ficar ao seu lado enquanto se encaminhassem para a saída. Em alguns instantes, Veraline passou por Aquiles e ele tratou de se emparelhar com ela. Veraline conversava com sua amiga, Flávia, filha de bacanas na cidade e que era metida de dar medo.

Aquiles tentava desesperadamente ouvir o que Veraline falava, em meio à balbúrdia provocada pela molecada. Gostaria até de lhe dizer alguma coisa, embora não conseguisse pensar em nada.

– E que presente vai ser? – perguntou, a menina.

– Isso é surpresa – respondeu Veraline, sorrindo. Parecia um sorriso apaixonado. – Mas tenho certeza que ele vai amar.

Palavras envolvidas pela gritaria juvenil, mas ele conseguiu compreender. Ela daria um presente a alguém. E quem era esse alguém? Pelo jeito, um namorado. Ou um pretendente, no mínimo. E ele ganharia um presente. O presente de um anjo.

Aquiles se sentiu um pouco desgostoso. Imaginar Veraline gostando de outro alguém o deixou desanimado. Estava envolvido com a esperança de conseguir alguma aproximação e inteiramente disposto a conquistá-la. E agora parecia ter diante de si a presença funesta de um desconhecido que fazia com que seus tão recentes sonhos se desvanecessem.

Subitamente, Aquiles foi tirado das suas reflexões quando percebeu que duas pessoas o agarraram pela cintura. Antes que pudesse esboçar qualquer reação, se viu virado de ponta-cabeça, sendo carregado e jogado dentro de um grande cesto de lixo, perto da saída. A mescla de susto, dor, vergonha, indignação agiram como uma mordaça sobre sua boca, que não conseguiu pensar em nada para dizer, gritar ou xingar. Ele ficou se debatendo durante alguns segundos até que conseguiu virar o cesto, e sair dali de dentro com alguns guardanapos descartáveis engordurados sobre a cabeça. Acontecera tudo tão depressa que ele levou longos segundos para perceber que todos a sua volta o olhavam e davam risadas. E quem seriam os responsáveis? Reginaldo, William? A brincadeira idiota era típica deles. Mas Aquiles não conseguiu descobrir – os covardes já haviam desaparecido no meio da multidão de gozadores. E Veraline? Será que ela o vira passar por aquele vexame? Ele olhou ao redor, mas não a encontrou. Ao contrário, seus olhos acabaram por pousar em alguém que o olhava com desprezo nos olhos. Era o “roqueiro”. O novato deixou um sorriso cínico escapar-lhe pelo canto dos lábios antes de arrematar:

– Veterano idiota!

Quando observou Andreas dar-lhe as costas e ir embora, Aquiles deu-se conta de que, em sua vida, sempre estaria em segundo lugar.

E ser o segundo era o mesmo que ser o último.

___

Naquela noite, Alex, um amigo da escola, ligou para Aquiles.

– A turma vai no Motoka´s, hoje. Vamos lá? – Motoka´s era uma lanchonete. O dono só podia estar sob efeito de drogas no dia em que escolhera um nome imbecil como esse para sua lanchonete.

– Sei lá, cara. Estou meio cozido, hoje.

– Você diz isso toda vez que a gente te chama para sair.

Ele dizia “a gente te chama”, mas Alex era o único que o convidava. Sempre. Mas pra ser sincero, era somente isso que contava ao seu favor. De resto, Alex não passava de um idiota sem noção.

– Que horas, Alex?

– Às oito.

– Ok.

– Você vai?

– Vou pensar.

– Se você não aparecer lá até as oito, vou na tua casa.

Ia o caramba.

– Falou. – E desligou.

Aquiles não gostava de sair com seus amigos porque nunca lhe davam atenção. Se ele tentava dizer algo importante, invariavelmente, era interrompido. E ficava com aquela cara de trouxa, de quem ficou no vácuo. Por isso, para evitar constrangimentos, na maioria das vezes ficava calado, se limitando a dar alguns comentários de duas ou três palavras.

Ele abriu seu guarda-roupa e procurou uma calça e uma camiseta que não estivesse toda furada por causa das traças.

Levou quase uma eternidade, mas acabou encontrando.

___

O Motoka´s ficava perto de sua casa. Quando Aquiles chegou lá, encontrou Alex, William, Reginaldo e Pablo. Todos os quatro eram populares. Alex e Pablo eram baixos, como Aquiles, mas eram ricos. William e Reginaldo não eram ricos, mas eram altos e bonitões. Aquiles era o único que não fora compensado em lado nenhum.

– Senta aí, Cego – disse, Reginaldo. Aquiles suspeitava que ele fosse um dos responsáveis por tê-lo jogado dentro do cesto de lixo, mas preferiu não perguntar nada.

Aquiles sentou-se.

Eles estavam bebendo refrigerantes.

– Sobre o que estão falando?

– Sobre a nova casa de games que abriu no centro.

Era só isso o que faltava! Já não estava muito disposto a sair de casa e agora teria de ficar conversando com aquela pirralhada de doze anos sobre uma casa de games, enquanto tomavam refrigerantes.

– Não tem um assunto mais decente pra conversar, não?

– Cala a boca, Cego. Ninguém pediu sua opinião.

Melhor fechar a boca, pensou, mal-humorado.

Aquiles decidiu beber alguma coisa – uma cerveja – mas sabia que o atendente não lhe venderia uma, por ser menor. Por isso, pediu refrigerante.

– Tem um jogo chamado Shy. É sobre um ninja samurai que tem de matar uns caras e uns monstros para chegar lá num lugar. Mas aí você tem que usar as forças super para chegar lá.

– É que nem Kung Fu GrandFather? – perguntou Pablo, realmente interessado com aquela imbecilidade toda.

– Nem se compara. A denifição é muito melhor.

– Definição – corrigiu, Aquiles.

– Quê?

– Você falou denifição. É definição.

– Eu não falei isso.

– Falou sim.

– Eu falei denifição.

– Tá vendo? Falou de novo.

– Cego retardado. Você reprova duas vezes e agora vem me dar aula de português?

– Tá bom, Alex. Foi mal.

Aquiles ignorou-os. Não estava ali nem dois minutos e já se arrependera de ter saído de casa. Decidiu que enquanto não mudassem de assunto não diria uma palavra sequer.

Aquiles não era o tipo de muitos amigos. Não era classificado como popular. O que era uma contradição, porque conhecia todo mundo e era conhecido por todos. O problema é que quase não tinha amigos. Talvez seu melhor amigo neste momento fosse o seu refrigerante. O refrigerante completava mais sua vida do que aquele bando de idiotas burgueses e bonitões.

Até que Reginaldo comentou, olhando por sobre os ombros de Aquiles:

– Olha quem chegou.

Aquiles nem fez esforço em olhar.

– Que gata! – comentou, Alex.

– Todo mundo acha, menos o Aquiles. Ele achou bonito mesmo o nome dela.

Aquiles teve um sobressalto.

Olhou para trás e o que viu deixou-o sem fôlego, mais uma vez. Era Veraline que chegava junto com uma amiga e um rapaz. A amiga era Márcia, uma morena de parar o trânsito. Elas estudavam na mesma sala. Mas o cara junto delas, Aquiles não conhecia.

Foi quando percebeu que o garotão estava … de mãos dadas com Veraline. Mãos sujas em cima de sua princesa.

– Quem é aquele cara? – Aquiles queria saber.

– Um sortudo chamado Marcos.

Para Aquiles, ele tinha mais cara de se chamar Idiota.

– Ele parece bem velho para ela.

– Deve ter uns 16 ou 17 anos. Ou mais, sei lá. Ela deve gostar de caras mais velhos.

– Velho? Então é bom para o Aquiles. – Risadas.

– Eles são namorados?

– O que você acha, Cego? Estão andando de mãos dadas por quê?

– Sei lá. Não custa confirmar.

– Por quê confirmar? Está gostando dela?

Alex começou a falar um pouco alto, com uma voz cantada:

– O Aquiles está apaixonado. O Aquiles está apaixonado.

– Cale a boca, idiota. Quer que o namorado dela ouça?

– O máximo que ele vai fazer é te dar uns tapas.

Aquiles observou os três recém-chegados se sentando numa mesa próxima. Veraline e a amiga acenaram para Reginaldo.

– Você conhece ela?

– Como assim? Eu conheço todas as garotas.

Quando Aquiles chegara naquela lanchonete estava desestimulado. Agora mais ainda. Observar Veraline cochichando no ouvido de Marcos, dando alguns breves beijos ocasionais, foi deixando Aquiles cada vez mais deprimido. A pessoa sobre a qual Veraline falara durante aquela manhã, a quem daria um presente, poderia muito bem ser aquele cara. Ele era um tipo bonitão e, segundo Reginaldo, era rico. Mas será que seria como Aquiles, humano e sincero?

Aquiles dirigiu-se a Reginaldo.

– Há quanto tempo ela namora esse cara?

– Está mesmo a fim dela?

– O Aquiles está apaixonado! – Alex continuava fazendo escândalo.

– Responde, droga.

– Eu sei lá, Cego. Só sei que os pais dos dois têm lojas de roupas.

– E o que ela gosta de fazer? Gosta de ouvir música? Ler livros?

– Pra que quer saber isso?

– Você disse que a conhecia.

– Quando converso com uma menina, não é este tipo de informação imbecil que fico procurando. Tenta amadurecer um pouco, moleque.

Aquele atrasado estava chamando Aquiles de “imaturo”? Risível.

Sabendo que não conseguiria obter nenhuma informação útil do Reginaldo, e cansado de ouvir a anta do Alex ficar repetindo: “O Aquiles está apaixonado”, ele decidiu ir embora. Terminou seu refrigerante e, ao sair, passou perto da mesa de Veraline bem lentamente, para que ela o visse.

Mas, Veraline nem notou a sua presença.

Mas o tempo (ah, sempre o tempo) ainda haveria de mudar isso.

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borda

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1 Comment

  1. Mds que texto lindo! Quero muito ver a continuaçao,publica rapido por favor

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