Beatriz nasceu esforçada. Cresceu esperançosa. Reverberou sonhos e decepções. Rimou amores impossíveis e sangue coagulado.

Beatriz era o que não queria ter sido. Tornou-se eco da planos desfeitos. Soava desarranjos em ré bemol. Era perfeição e rainha em um mundo onde só existiam ela e as baratas.

Beatriz fotografava seus momentos lúdicos na prisão. Dedilhava sombras em aquarela do alto da ponte. Depositava restos amalgamados de pele ressequida no papel, rimas desconexas, palavras soltas.

Beatriz sonhava ser, nunca estar. E de tanto estar, um dia cansou de sonhar em ser.

De lá para cá, Beatriz contentou-se absoluta em seu estado de rainha das baratas. E tomou para si, para sempre, meu leal amor.