Corrosiva

Crônicas corrosivas e gestos de amor

OS ANTISSOCIAIS II

Os Antissociais

– E aí?

– E aí?

– Fazendo?

– Nada.

– Também.

– Vai sair?

– Nem. Cansado pra burro.

– O que fez?

– Ah, sei lá. Fiz nada, não.

– Então tá cansado do quê?

– Sei lá. Dessa paradeira, deve ser.

– Então por que não sai?

– Porque tô cansado.

– Então sai que descansa.

– Ninguém sai pra descansar.

– Então fica em casa, caramba.

– Pô, mas isso cansa pra burro.

– Cara, tu fala umas coisas nada a ver.

– Tipo…?

– Tá cansado, mas não fez nada.

– E isso não cansa?

– Então descansa.

– E o que tô fazendo?

– Então não reclama.

– Quem tá reclamando?

– Tá, deixa quieto.

– E você? Vai sair?

– Nem.

– Por que?

– Ah, você me cansou.

Crédito Foto: Bobbi Dombrowski

4 Comments

  1. Sonia Borges Cesario

    8 outubro, 2011 at 05:06

    putz, quase não escrevi de tão cansada…bomo, muito bom!

  2. Qualquer semelhança é mera coincidência….Incrível como esse poema traduz um papo que poderia ser de qualquer um de nós…”
    E, contudo, muito original. Lindo!

  3. Não tão original e lindo quanto seu comentário. Obrigado pela visita!

  4. Adorei!

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