Como quem não suportava, insuportei-me – esta loucura redimensionada em minha pele seca e visão ressequida. Olhos entrelaçados, um mistério que me consumiu, a intensidade sôfrega desenhada em mim. E sob a chuva negra, correndo sem participar de sorrisos aleatórios, não deixo de me perguntar: quem poderia prever que você pudesse me amar?

O que me gritei, enquanto despencava do alto da montanha, não pode ser ouvido exceto por mim e por minha alma cansada e envergonhada. Impactado pela descoberta confusa de minhas sombras que dançavam num cinza destoar ao meu redor. E quando duvidei do amor, sob a sombra amargurante de um dia amanhecido, você apareceu e sorriu seu ar docilmente conjugado. E quem poderia prever que você pudesse me amar?

Vai ver eu nem sequer me confundi, mas sei que confundi outros que tanto amo. Quando minhas palavras foram mal-interpretadas e os cortaram, eu também sangrei. Logo eu que jurei-me fazer-lhes dormir sob alguma canção de ninar, e que tanto acreditei conseguir alcançar as estrelas, fugitivas estrelas. De joelhos, no deserto, acreditei não me acreditar. E seu sorriso surgiu como a sombra e a água que minha pele desperdiçou-se não mais acreditar. E quem poderia prever que você pudesse me amar?

 

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