Corrosiva

Crônicas corrosivas e gestos de amor

Category: Textos Pequenos (page 1 of 2)

Textos Pequenos da Literatura Corrosiva

Imaturo, Eu?

Acordei assim hoje, maduro, responsável. Estranha estranheza este estranhamento. A princípio, nada que acusasse a diferença. Mas, então, os primeiros problemas da manhã começaram a surgir – aqueles que socam teu estômago com uma ferocidade inigualável. O que eles esperavam de mim? Praguejar, esmurrar a parede, gritar em lágrimas: “Eu desisto”, e pedir para deixar o show? Afinal, foram décadas assim… por que mudar?

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EXISTÊNCIA ÚNICA

Afague tua doce solidão. Não tenhas medo deste eco quando gritas no escuro. Se está só, então, não está só. Tua companhia é a melhor companhia. Pegue o próximo trem que te levará para lugares onde nunca esteve. Solte o ar que te mantém aprisionada. Levite ao dançar. Convide o mar. Livre-se destes paradigmas, desta mania de sempre acreditar no tolo e ingênuo coração. Aprenda amar teu brilho, tua existência única. Vá além. Um passo a mais. Vá tão longe a ponto de perguntar se será capaz de encontrar o caminho de volta pra casa. Aprenda a dizer não. Aprenda a sorrir além. Aprenda a confiar em mim.

Crônica - Existência Única

 

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CARTAS MARCADAS

Meu jogo, minhas regras

Crônica Cartas Marcadas

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NOME PRÓPRIO

Um beco. Estado inerte. A neblina vasta e densa que envolve pensamentos adormecidos em outras outroras. É o estrangeiro que reside, entre o amontoado de carnes distorcidas, pele e espasmo. O que somos? O que fomos? De repente, a máscara cai. Pele ao vento. Aquele olhar no espelho é fome? ânsia? descontentamento? Deveria ser uma nota musical. Deveria ser o canto de um encanto rimado e ritmado. Mas parece ser ego ferido. O introspectivo. Apenas um negativo cifrão. O desenho no espelho é fosco. Linhas retas meio tortas. Parece você. Se reafirma você. Mas não rima com teu nome.

E você diz: “mas esse sou eu”. Ainda assim, não rima com teu nome.

Crônicas Pequenas - Nome Próprio
 

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VOANDO COM TOLSTÓI

Numa certa manhã, fria como o inferno, como costumava dizer, julgou-se capaz de voar. Absoluto em suas ideias, vagou da cama à janela com passos lânguidos, olhar sedento, a medida que o véu da poluição contornava a silhueta da cidade podre que aprendeu a odiar.

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O SOCIOPATA

Menina festeira apaixonou-se por sociopata. Um eclipse, uma dança solitária. Tinha os olhos azuis, ele. Mas não brilhavam. Recôndito num mundo paralelo, era senhor ali. Ela, cobria-se de regras, regrava-se posturas, roupas e sorrisos. Saltos desenfreados numa pista qualquer, pés descalços, os dedos emanando gargalhadas. Ele, avulso, olhar indireto refeito por 4 paredes. Conversava sozinho, às vezes. Ela, também.

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RESSONÂNCIA E RESSUMBRO

De nada adianta teus vis apelos. É frágil tua intempestividade, teus lábios secos. Tua fama decai, teu anelo se esvai. É a pele morta, teu toque sem folículos pilosos. É o agreste em teus olhos, é um selo em tua boca. Roxa. Falsa. Palavras pútridas. Dançando no escuro. Com estranhos. Com fantasmas. Reverenciando teus atos pobres e carentes. Teu andar sofrível. Pauperizadas baratas em teu domínio. Teus olhos magros desperdiçam comédias, acumulam tragédias. É o drama de te acompanhar, e dissecar teu coração. Pedra. Vão. Uma vez em si outra em vão. Um fascínio cego, um amor bastardo. Daqui pra frente, sou eu e meus sonhos. É você e seus fantasmas.

Cuida de Mim

Seus olhos me deixaram estático. Seu brilho calou-me silêncio. Como se a vida pudesse esperar um pouco mais. Sem pressa. Sem presas. Acesas, cem mil luzes. Seu encanto feriu-me a cura. Curou-me a ressaca, overdose de seu sorriso. Seu pranto molhou-me seco, e seco o céu, tua luz em véu. Veio assim, de passagem. Sem pretensões. Pensei ter passado. Mas você ficou. Fez moradia. Acalmou a ventania. Que o dia passe agora. Que passe todo num passe de mágica. Eu vou ficar aqui, um pouco mais. Mas, por carente, uma solidão indecente, te peço pra ficar. Deixe o sol pra lá. Deixe o céu e o mar. Deixe a areia e o que quiser voltar. Eles sabem se cuidar. Por hora, por ora, por agora… Cuida de mim.

Cuida de Mim

DOUTOR LUCKÁ

Quando eu o conheci, décadas atrás, achei que estava diante de uma figura que pela primeira vez traria uma ameaça ao meu mundo seguro de criança. “Mãe, tem um moleque com cara de psicopata da escola”. Não era um psicopata. Era apenas um poeta, um louco, o louco Lucká.

Seu nome não é Lucas. Nem Lúcka. Mas, como ele insiste: “É Luckáááááááá, caramba. Acento no ‘a’ “.

Eu acompanhei sua trajetória. Tentei acrescentar algo de bom à sua vida. Às vezes, ele me diz que não estaria vivo se não fosse por mim. Em outras, diz que tudo o que passou de ruim foi culpa minha. Eu digo que ele é bipolar, que devia se tratar. E ele dá uma risada carregada de desespero (se você não o conhece, e ouve aquela risada, você teme pela sua vida), e arremata:

– Vinte e cinco anos se passaram, mundos foram criados, outros foram destruídos, e você continua o mesmo lunático de sempre.

Louco Lucká. Com o tempo, passou a ser o mestre Lucká. E agora, para a alegria de muitos tornou-se o doutor Lucká.

Confesso, ele não me ensinou quase nada. Mas me ensinou o que é poesia, e que não há motivos para se envergonhar de chorar em público. O que, na prática, é muita coisa.

Abaixo, como numa propaganda de remédio para emagrecimento, o seu Antes e Depois…

17 DE JANEIRO

17 de Janeiro

As pessoas acordam todos os dias querendo mudar suas vidas. Promessas. Pactos. “Hoje nascerei”. Mas não mudam. Não nascem. Nem renascem. De uma atitude revolucionária, condensam-se em modos passivos. Parecem cientes do gelo fino sob seus pés. Aquele mesmo que parece trincar abaixo de mim enquanto essas mal traçadas linhas se expandem. Um movimento mal calculado, e num segundo – pensam elas –, podem ser engolidas pelas águas congelantes. Por isso, adiam sonhos. Congelam planos. Seus objetivos estampados apenas nas crônicas pequenas que guardam no fundo de uma gaveta empoeirada e infestada de traças. O medo domina a mente. A mente estagna o corpo. E o corpo cria limo. Como pedras que nunca rolam.

Poderia se tratar de um grande passo. Mas a mente o liquefaz numa queda no abismo. Poderia ser uma estrada para um lugar melhor. Mas a mente a pulveriza com a sensação de que estamos perdidos e com frio.

Então que tal dar férias ao medo e encarar seus limites? Não é a pergunta que não cala. É o medo que não a deixa resolver-se.

Por isso, hoje, a manhã surgiu no horizonte com um aspecto diferente. As luzes da alvorada procedem de minhas veias. Os gostos se prolongam em minha boca. A imagem dela rejuvenesce a cada nota que meus ouvidos capturam. Hoje acordei e decidi mudar minha vida. Pode parecer se tratar de um passo em falso. Um falso ato. Pode parecer se tratar de uma queda no abismo.

Mas para mim, parece tratar-se de um grande passo.

(Crédito Foto: Robin Liang)

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